Antes mesmo de pronunciar as primeiras palavras, muitas crianças já têm seu primeiro contato com dispositivos eletrônicos. Ao crescerem, habituados ao uso das telas, os ‘nativos digitais’ já navegam com facilidade e descobrem ferramentas que nem mesmo seus pais imaginavam existir. Conhece esse cenário?

É o contexto de muitas famílias. Ainda mais neste período de isolamento social, devido à pandemia de Covid-19, em que o uso de computadores e celulares foi ampliado. A presença dos dispositivos na vida da criança tem sido mais intensa – tanto para entretenimento, como para estudo nas aulas remotas.

Este fato é evidenciado no estudo  “Primeiríssima Infância – Interações na Pandemia: Comportamentos de pais e cuidadores de crianças de 0 a 3 anos em tempos de Covid-19” realizada pela Kantar Ibope Media a pedido da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

De acordo com a pesquisa, a utilização de dispositivos móveis (celulares e tablets) entre crianças de 0 a 3 anos teve um  aumento exponencial de 15% para 59% neste período de isolamento social.

Mesmo diante dos benefícios das tecnologias neste cenário de pandemia, facilitando a manutenção dos relacionamentos em meio ao distanciamento, a comunicação, as compras à distância e possibilitando a continuidade de tarefas (incluindo as escolares), é como bem nos diz a sabedoria popular: tudo em excesso faz mal.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SPB) em seu Manual de Orientação #MenosTelas #MaisSaúde sobre o uso de dispositivos eletrônicos por crianças, chama a atenção para as consequências da exposição excessiva a TV, celulares e tablets: desenvolvimento de obesidade, distúrbios de sono e comportamento agressivo. Pode levar também a quadros de ansiedade, depressão, déficit de atenção, dificuldade de socialização, baixo rendimento escolar e dependência.

Por estes motivos, pela saúde e bem-estar das crianças, é preciso ter atenção ao tempo que estão dedicando ao uso dos eletrônicos.

A SBP recomenda:

  • Evitar a exposição de crianças menores de 2 anos às telas, nem passivamente;
  • Crianças com idades entre 2 e 5 anos, limitar o tempo de telas ao máximo de 1 hora/dia;
  • Crianças com idades entre 6 e 10 anos, limitar o tempo de telas ao máximo de 2 horas/dia;
  • Adolescentes com idades entre 11 e 18 anos, limitar o tempo de telas e jogos de videogames a 3 horas/dia, e nunca deixar “virar a noite” jogando;
  • Não permitir que as crianças e adolescentes fiquem isolados nos quartos com televisão, computador, tablet, celular, smartphones ou com uso de webcam; estimular o uso nos locais comuns da casa;
  • Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar ao menos 2 horas antes de dormir.

Achou difícil? Impossível? Calma! Vamos dar alguns caminhos possíveis para auxiliar nessa missão.

Práticas para moderar a exposição das crianças e adolescentes a celulares, tablets e computadores

Estabeleça uma rotina

Mesmo com um tempo maior em casa e com a escola ainda em formato híbrido, é extremamente importante para a criança e adolescente ter uma rotina bem estabelecida do seu dia.

Os horários e tarefas a serem cumpridos no cotidiano podem ser combinados, sempre atentando também para o tempo livre em que a criança fique à vontade para escolher ou até criar a sua programação.

Se essa construção da rotina for dialogada, fica mais fácil combinar também o tempo de uso dos eletrônicos. Explique para a criança, na linguagem dela, o tempo acordado e a relevância do cumprimento de um compromisso.

Promova atividades sem o uso do digital

Melhor do que falar o que não fazer é dar alternativas tão prazerosas (ou até mais) que as opções no digital. Você pode incentivar a prática de esportes, atividades ao ar livre, programações em contato com a natureza, leitura de livros, atividades artísticas culturais.

Além de combater a dependência das crianças aos eletrônicos, ações nesse sentido  beneficiam a saúde do corpo (e mente!) – que sai da inércia de ficar sentado assistindo e jogando para se movimentar.

Estabeleça regras saudáveis

O uso dos eletrônicos já se incorporou à rotina social e tende a estar cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. Erradicá-lo totalmente das mãos da criança não seria a decisão mais sábia.

No entanto, é possível criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais. Além do controle de segurança, senhas e filtros apropriados para toda família, é essencial incluir momentos de desconexão e mais convivência familiar.

Isto é, aproveitar o melhor do digital sem deixar de valorizar as conexões presenciais.

Assim, estabeleçam as regras e façam cumprir:

  • Combinem o tempo de uso dos eletrônicos;
  • Nada de refeições manuseando um equipamento;
  • E nada de telas perto da hora de dormir.

Escolher jogos e aplicativos educativos também é interessante para que a criança reforce seus conhecimentos ainda na esfera digital.

Tempo em família

O mundo real e o mundo digital se uniram. Hoje em dia, não tem como dizer que uma conversa de vídeo não seja real. Mas, além desta realidade virtual, as crianças precisam aprender a valorizar suas conexões familiares.

É importante que haja o fortalecimento do vínculo de confiança entre criança e familiares. A ideia é mantê-las em ambientes seguros. Este posicionamento colabora tanto para evitar a exposição da criança a conteúdos inadequados, como também para prevenir que elas se envolvam com o cyberbullying.

Para isto, faça parte da dinâmica digital da criança, assistindo, jogando com ela e observando os conteúdos que consome. Também pratique o autocontrole pelo uso dos eletrônicos, principalmente na frente deles. Lembre-se: o exemplo é sempre a melhor lição.

Não podemos negar que as tecnologias facilitam e muito o dia a dia. Desde o acesso à comunicação, o pagamento de contas e até fazer as compras sem sair de casa. Aos poucos as crianças são incorporadas ao mundo dos eletrônicos e a função dos pais é fazer com que isso ocorra da forma mais saudável possível.

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