Cabeça baixa, sorriso disfarçado, não responde quando perguntam o nome ou a idade ou se esconde atrás dos pais em situações de interação. Mas, em casa, fala ‘pelos cotovelos’ com todos.

Estas são algumas das atitudes comuns de timidez na infância que podem preocupar os pais. Porém, na maior parte das vezes, não chega a ser considerado um problema ou doença. Com uma postura adequada dos adultos, é possível ajudar a criança a conviver com a timidez de maneira saudável.

Geralmente, a timidez entre as crianças é um comportamento natural, faz parte do desenvolvimento infantil. Cada uma tem seu ritmo e tempo para assimilar o desconhecido. É essencial entender a individualidade, gostos e preferências da criança, que devem ser respeitadas.

Em muitas situações, a criança se abre mais após um tempo de convivência com a pessoa ou se situando no ambiente. Nesse sentido, a timidez pode ser até uma proteção, visto que, a criança tímida ‘não vai com todo mundo’.

Melhor do que tentar mudar o filho para exterminar a timidez de forma brusca, é ajudá-lo a lidar com o comportamento, de modo que não prejudique seu desenvolvimento e aprendizagem.

O comportamento reservado pode ser considerado negativo quando atrapalha o desempenho de atividades diárias. Se, quando levada a interagir, a criança fica com o rosto vermelho, começa a suar e apresenta um comportamento alterado, é indicado procurar apoio profissional.

A timidez exagerada pode estar relacionada à autoestima e à insegurança. Um olhar especializado ajuda a descobrir a causa da questão e auxiliar a família nos cuidados necessários para resolução.

Não force

Nunca, jamais, em hipótese alguma, force a barra com seu filho para que ele interaja. Isto pode constrangê-lo ainda mais e trazer graves prejuízos socioemocionais. Em vez disso, fale que depois ele pode cumprimentar as pessoas, quando se sentir mais à vontade.

Estimule o diálogo

Converse com ele sobre a recusa e tente entender o que está por trás do comportamento naquele momento. A conversa realmente precisa ser um diálogo e não um monólogo. Não passe um sermão reclamando do comportamento. A criança necessita de um ambiente seguro onde se sinta à vontade para expor seus medos e inseguranças.

Evite criticar e/ou rotular

Evite tecer comentários críticos ou rotular a criança a partir de suas atitudes, principalmente publicamente. Dizer coisas como “ele é tímido mesmo”, “ele não fala com as pessoas”, pode fazer com que se apodere disto, assimile como verdade e se conforme com o retraimento.

Sempre que possível, procure elogiar quando houver uma socialização e demonstre sua satisfação com a conquista.

Incentive a interação

Bem, falamos em não forçar a barra, mas também não é indicado superproteger de tudo. ‘Nem oito, nem oitenta’. Tomar a frente e fazer tudo pela criança, inibindo sua autonomia, tende a fortalecer a conduta de timidez.

Atividades esportivas de grupo, ou teatro, são bons estímulos contra a inibição. Também não deixe de sair e levá-la a espaços públicos e eventos sociais. Ver o exemplo dos pais, interagindo com outras pessoas, também será um incentivo e aprendizado.

Evite comparar

Sabe no que ajuda a comparação? Em nada! Então, não compare seu filho com outras crianças, irmãos, ou com você quando era da mesma idade. Como já falamos, cada um tem sua individualidade.

Seja apoio

Vocês estão em uma festa, ou evento social, com outras crianças e seu filho parece querer brincar, mas está retraído? Se ofereça para ir junto, se mostre como suporte de segurança. Ou, convide as crianças para brincarem perto de onde estão. À medida que ele for se soltando, você pode se afastar gradualmente, mas esteja sempre à vista, para que ele adquira confiança.

Mas se seu filho prefere brincar sozinho em vez de estar no grande grupo de crianças, não precisa ficar preocupado. Combinem para que em outro momento, ou outro dia, ele participe com o grupo.

Treine a comunicação

A inibição também pode ser um sintoma de dificuldade de comunicação. Neste contexto, que tal possibilitar alguns ensaios?

Em casa, criem brincadeiras com situações comuns que impliquem no uso da fala. Façam de conta que estão no mercado, em uma festa, na escola e simulem diálogos comuns a estes ambientes. Tudo como um faz de conta, tá?

Outro treino é levar a criança ao supermercado, ou restaurante, e estimular para que ela faça o pagamento das compras ou expresse o que deseja ao garçom.

Este apoio precisa ocorrer desde cedo, para minimizar as dificuldades que os filhos podem encontrar na escola, universidade, ou ambiente profissional, caso persistam no comportamento retraído.

Na adolescência, a timidez pode encontrar um esconderijo por trás das mídias, ou do silêncio, tornando ainda mais difícil uma possível ajuda.

Gostou de saber mais sobre como lidar com a timidez na infância? Então confira também o artigo Autoestima Infantil: como ajudar sua criança a desenvolvê-la? Para se aprofundar mais no tema das relações saudáveis.