Ao começo de um novo ano é bastante comum desejarmos “um mundo melhor” tanto para o momento em que vivemos, como também para o futuro das crianças.

Todavia, este ‘melhor’ pode ser construído desde agora, com pequenas ações, entre elas as de solidariedade. Afinal, “depende de nós”, como diz Ivan Lins em sua música.

‘Fazer o bem sem olhar a quem’ é uma frase bem conhecida e define um pouco do que é a solidariedade. Uma das atitudes mais valorosas do ser humano.

Com origem no termo da língua francesa solidarité, solidariedade tem a ver com perceber a dificuldade do outro e estar disposto a colaborar com uma solução ou, ao menos, estar pronto para dar apoio.

A solidariedade tem o poder de provocar grandes transformações a quem pratica e a quem recebe.

Em um tempo como este em que estamos vivendo, de tantas dores e perdas devido à pandemia da Covid-19, ações de generosidade trazem esperança e união.

Então, que tal promover uma rede de solidariedade a partir do seu núcleo familiar? Ensinar isso aos filhos como algo natural a ser praticado é um investimento na criação de cidadãos mais sensíveis e conscientes.

Contudo, é bom reforçar que as ações de generosidade precisam ser reais e verdadeiras, não para cumprir uma ‘obrigação’ ou manter as aparências. E para que não seja uma atitude automática sem reflexão, é importante desenvolver a empatia e a escuta ativa.

Como falar de solidariedade com os filhos

Antes de tudo, é importante entender (e ensinar) que ser solidário não se refere apenas a bens materiais, mas sim, trata-se de uma prática social. Ela pode estar presente em pequenas atitudes, desde que tenha a intenção de colaborar com o bem do outro.

Não é apenas dar um presente a outra criança, ou emprestar o material escolar, por exemplo. Mas fazer isto por se importar com o bem-estar da outra pessoa e ficar feliz pela atitude que teve, pela felicidade do outro. É imprescindível a criança entender isto.

Uma maneira de ajudá-la a assimilar o que é empatia é refletir junto com ela sobre como se sentiria caso estivesse na situação do outro. Com esta compreensão, a continuidade do pensamento deverá ser: como posso ajudar a melhorar?

Como incentivar a solidariedade na criança?

1 – Seja exemplo

A frase “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” definitivamente não é válida para as crianças. Elas observam o comportamento dos adultos com quem convivem e, naturalmente, tendem a reproduzi-lo. Então, a primeira atitude para ter um filho solidário é ser você mesmo solidário.

2 – Doses diárias de solidariedade

Ainda neste contexto de espontaneidade, a solidariedade pode ser vivida na rotina diária. É no empréstimo de uma borracha para o colega, auxílio aos pais em uma tarefa de casa, ajuda ao irmão na arrumação da cama, ou dos brinquedos. Incentivar a criança a estas atitudes implantará a atitude solidária como algo natural.

3 – Jogos e brincadeiras colaborativas

Um dos grandes desafios no contexto da generosidade é entender que no convívio social um depende do outro. Exercitar esse conceito de maneira lúdica é uma forma leve de aprender. Há alguns jogos que deixam a competitividade individual de lado e valorizam a vitória como um esforço da união.

Alguns esportes clássicos que possuem esse valor, por exemplo, são o voleibol e o basquete. Ou brincadeiras como dança das cadeiras (com a regra de não sair nenhum participante), desenhos coletivos, entre outros.

4 – Apresente filmes e livros com o tema

Além de falar sobre solidariedade, é também bacana ver alguns exemplos no ambiente externo à família. A compreensão pode ser facilitada conhecendo boas narrativas de atos generosos por meio de filmes e livros. Seguem algumas sugestões:

Filmes:

  • Patch Adams – O amor é contagioso
  • Um sonho possível
  • Como estrelas na Terra
  • A invenção de Hugo Cabret
  • As crônicas de Nárnia

Livros:

  • A galinha ruiva. Conto de domínio popular.
  • Marcelo, marmelo, martelo. Autora: Ruth Rocha
  • Minha amiga inseparável. Autora: Glauce Fragoso
  • A menina e o pássaro encantado. Autor: Rubem Alves
  • Uma mão lava a outra. Autor: Max Lucado

5 – Ter o suficiente para dividir

Que tal quando preparar material escolar, ou o lanche da escola, dispor de uma quantidade extra para o caso de alguém precisar? Fazer isto com a criança pode despertar nela a predisposição para a solidariedade.

6 – Participação em projeto social

Ser generoso é muito bom, e fazer isto em grupo é ainda melhor. Leve seu filho para conhecer instituições de caridade e/ou projetos sociais para uma vivência prática de solidariedade coletiva.

7 – Realizem doações

Crianças crescem rápido e, muitas vezes, ficam com roupas e brinquedos em ótimo estado, mas fora do tamanho adequado. Neste contexto, realize periodicamente, junto com a criança, uma revisão de seus pertences separando o que pode ser compartilhado com outros.

E sabe o que mais pode auxiliar no despertar da solidariedade em uma criança? A formação de belas e verdadeiras amizades. Veja mais em nosso texto a importância da amizade na infância.

Quer transformar o seu entorno e viver em um ambiente mais empático e solidário? Então compartilha esse texto com outras pessoas que você acredita que podem curtir e disseminar a generosidade.