Para alguns, a paciência parece ser uma dádiva fora do habitual. Em nossa contemporaneidade, com os dias cada vez mais corridos, a pressa, as multitarefas e a rotina apertada, muitas vezes ter paciência nem sempre é uma prática possível. Se os adultos já têm esta dificuldade, como então trabalhar a paciência com as crianças?

Bem, independentemente da personalidade, a paciência é um comportamento que começa a ser assimilado neurologicamente no contexto infantil e, portanto, pode ser aprendido.

Este entendimento é um bom ponto para se iniciar a jornada de prática com as crianças. A paciência deve ser estimulada desde cedo, pois trará diversos benefícios tanto no período da infância quanto na vida adulta. Além de contribuir para uma sociedade mais saudável, né?!

Crianças e adultos pacientes são pessoas mais equilibradas emocionalmente, que tomam decisões mais centradas. Ao contrário disto, a impaciência pode acarretar estresse, ansiedade, falta de concentração, entre uma enxurrada de outros problemas.

Geração do entretenimento

Outra característica que traz dificuldade para assimilar a paciência são os constantes estímulos ao entretenimento. Nos tempos atuais, são poucos os momentos em que as crianças não estão entretidas com algo.

Se esperam na fila da consulta, é assistindo a um desenho; enquanto aguardam a comida ficar pronta, precisam de algo para fazer. Brincar sozinhas? Muito difícil sem ter o olhar próximo e estímulo dos pais.

Mostrar para os filhos que nem tudo será no momento desejado por eles é um dos maiores ensinamentos que pode ser dado às crianças. É importante que saibam lidar com o tédio, a frustração, com os sentimentos negativos… Dessa forma, poderão ser valorizados ainda mais o afeto, a gratidão, o respeito e, até mesmo, a criatividade.

Conceito de tempo para crianças

Falando assim pode parecer coisa simples, mas, como tudo na educação, não existem dicas mágicas ou receitinha de bolo. E, nesse caso, precisamos ainda considerar que, a depender da idade, as crianças ainda não solidificaram o conceito de tempo em suas mentes.

Muitas vezes cinco minutos ou uma hora podem ter o mesmo peso para as crianças, que querem tudo pronto na hora, pois é o tempo um conceito abstrato e ainda não compreendido por elas.

Também por este motivo, as crianças podem insistir no pedido, mesmo que seja anunciado a elas o quanto irá demorar para o resultado esperado.

Então como engrenar uma conversa sobre paciência com os pequenos?

Atitudes para ensinar a paciência

De toda forma, é imprescindível que desde cedo, e com a gentileza merecida, elas possam ser estimuladas a ter paciência. Alguns comportamentos podem ser definitivos para este aprendizado.

Dê forma ao tempo

Para que elas assimilem melhor a demora, ou tempo de espera para algo, é indicado usar exemplos concretos. Como, por exemplo, ao invés de dizer “daqui a uma hora”, seria melhor falar que será “após o almoço”. Ou, ainda, relatar todas as ações que precisarão ocorrer até o momento esperado.

“A mamãe ainda precisa terminar esse trabalho, aí vamos passear com o Rex, depois o Rex vai comer, nós vamos jantar e aí podemos jogar, tá certo?”

Outra boa opção, que ajuda em diversas situações de aprendizagem, é a organização visual da rotina. Os pais ou outros adultos responsáveis pela educação da criança podem tirar um momento para dialogar sobre as tarefas comuns diárias.

Juntos, podem organizar a rotina em desenhos, ou como uma lista com os horários e atividades – a depender da idade e maturidade da linguagem.

Saber da rotina, da sequência provável dos acontecimentos, deixará a criança mais tranquila e, ainda, facilita quando os pais precisam explicar em que momento do dia vai acontecer algo.

Seja paciente

“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Essa é uma das frases mais fake news da história da educação. Pode ter a certeza: seu comportamento está sendo observado, absorvido e, em qualquer hora, será reproduzido.

Então, procure manter a paciência em suas atividades diárias, na ida ao supermercado, enquando aguarda um pedido de refeição, e, especialmente, no trato com os filhos.

Como também, não desperte a pressa na criança. Se ela constantemente ouve pedidos para que realize as atividades com rapidez, poderá adquirir este comportamento.

Tenha urgência somente com o urgente

Seu filho está chamando, ou pedindo algo, mas não é urgente? Você pode, muito bem, pedir para ele esperar. Não precisa toda vez que a criança chama, parar tudo que se está fazendo para atendê-la. Calma…

Não quer dizer que não deve dar atenção à criança. Não é isso. Mas, se não for imposto um limite, ela pode se sentir “a dona da situação” e pensar que tudo na casa gira em torno dela.

Por isso, vez por outra, quando for necessário, demore um pouco para atender à solicitação. Com gentileza, explique que você está ocupado ou ocupada agora e quando terminar determinada tarefa irá resolver o problema.

Sem interrupções

Se você está em uma conversa e a criança pede insistentemente sua atenção, quer que você pare para atendê-la, mantenha a calma e explique: “estou conversando, e assim que terminar eu falo com você”.

Claro, isso se você verificar que não se trata de uma emergência.

É importante ressaltar que a promessa de falar depois deve ser cumprida. Não diga “vou já”, “é bem rapidinho”, para algo que vai demorar ou que você não pretender ir. A criança se sentirá enganada.

Sem gritos, ou reclamações, pois estes comportamentos não ajudam em nada para a criança entender a situação.

O melhor é esclarecer o porquê e em quais situações ela irá esperar. O momento de diálogo pode ser aproveitado para combinar uma forma de agir quando os pais estiverem conversando e desejar falar algo (“mamãe, licença, preciso falar contigo”), e como comunicar se for algo urgente.

Datas especiais

As datas festivas estão longe de acontecer? Talvez seja melhor não ficar recordando o dia para evitar ansiedade pela demora. Principalmente com as crianças menores, é melhor não anunciar com muita antecedência.

Mas, se for uma iniciativa da própria criança, e a depender da idade, a utilização de um calendário facilitará a compreensão da passagem do tempo e do quanto irá demorar para o acontecimento.

Atividades para trabalhar a paciência

Além de momentos de diálogo e explicação sobre a espera e a importância de ter calma com o tempo que leva para o evento desejado, algumas atividades podem ajudar a criança a assimilar o conceito de tempo, ao mesmo tempo em que trabalham a paciência. Atividades como:

Jogos de tabuleiro

Quando estamos jogando, precisamos lidar com as regras, respeitar o momento do outro jogar, observar o tempo de cada um, dentre vários outros aspectos que permitem exercitar a paciência de forma lúdica e divertida.

Plantio de uma semente;

Respeitar o tempo de germinar e desenvolver das plantas é um belo e surpreendente treinamento de cuidado e paciência.

Fazer uma receita (de forno, de preferência);

Bolo, biscoito, massa de pizza… cada preparo, com seus passos e tempos nos permitem lidar com a paciência de uma maneira deliciosa.

Contar uma história por partes diárias.

Aquele livro mais extenso pode tranquilamente ser lido em capítulos, estimulando a curiosidade e, claro, a paciência para controlar aquele desejo gostoso de saber o que vem depois.

Poucas vezes refletimos sobre o quanto é importante ensinar aos filhos a ter paciência. Algo tão importante quanto saber o alfabeto, ou contar os números. Uma criança paciente terá mais saúde emocional e poderá lidar melhor com seu próprio processo de aprendizagem.

Além das atitudes e atividades que podem ser desenvolvidas com a criança, é primordial deixá-la segura que terá a devida atenção ao seu problema. Tudo isto de forma gentil e atenciosa. Do contrário, a recusa ríspida da atenção pode influenciar negativamente em suas habilidades sociais.

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