Seu filho não quer ir à escola? Há sempre um motivo e por isso é preciso investigar. Em busca da solução, procure saber um pouco mais, converse com ele e escute o que a escola tem a dizer. Nessa hora, família e escola, em parceria, podem trabalhar juntas.

Pode parecer fora do comum uma criança se negar frequentar a escola, mas se isso ocorrer com seu filho, saiba que você não está só.

Portanto, abaixo há alguns pontos a se considerar para solucionar esta questão:

  • Conheça alguns motivos para a recusa escolar
  • Converse com seu filho
  • Não tire conclusões precipitadas
  • Estabeleça parceria com a escola

Crianças pequenas se sentem inseguras na hora de ir à escola ou retornar após um período prolongado em casa, principalmente, quando estão na companhia da família. Diante da ansiedade de separação que pode aparecer, não se desespere, na maioria dos casos a criança é capaz de superar e retornar à rotina escolar.

Mas o universo da recusa pode ser maior do que uma simples insegurança ou apenas uma fase passageira. Cada caso é um caso no universo das particularidades, mas há comportamentos padrões que podem nos ajudar a identificar boa parte do problema e, simultaneamente, possibilitar a busca por uma solução.

E é sobre isso que também vamos falar. Vamos lá!

Conheça alguns motivos para a recusa escolar

A recusa escolar pode ocorrer na ausência total da criança na escola. Ela até pode frequentar a escola por algumas horas, mas não sustenta ficar e pede para ir embora.

Insegura no ambiente escolar, a criança insiste que é melhor ficar em casa. O que fazer então?

Nestes casos, o que se tem na teoria são hipóteses que apontam para certos comportamentos. Veja alguns:

  1.   Atrair a atenção para suprir algum problema ou falta;
  2.   Evitar emoções negativas proveniente de medo, pressão social ou até   imaturidade social.
  3.   Obter possível “ganho” (ficar dormindo ou no tablet ao invés de ir à escola),
  4.   Evitar situações sociais geradoras de estresse frente às cobranças escolares.

Em casos mais recorrentes como no período da adaptação escolar, geralmente, o recurso de fala da criança é o choro. Nesse caso fica mais fácil dar algumas dicas que podem orientar os pais a lidar com a separação.

Após conhecer bem a escola e conversar com seus profissionais

  • Confie na capacidade da criança de se adaptar;
  • Não titubeie na hora de se despedir;
  • Diga que vai voltar;
  • E nunca saia escondido.

A melhor situação para se despedir da criança é percebê-la entretida, dar um “tchau” e ir embora definitivamente. Mas se ela resiste à despedida diante da insegurança do adulto é bom ter alguém de casa mais seguro e confiante para ajudar por um período.

Quando a criança consegue se envolver com as atividades, com adultos e com toda a riqueza do ambiente escolar, mesmo que tenha chorado durante a despedida, é sinal de que ela está pronta e adaptada. Pode haver recaídas, mas ela será cuidada.

Porém, nem sempre tudo fica tão claro e pode ser resolvido como se houvesse uma receitinha a ser seguida.

Há situações em que é preciso investigar e junto com a escola é preciso definir como agir para ajudar a criança ou o adolescente na superação de suas dificuldades.

Fale com seu filho

No caso de crianças maiores apresentando recusa escolar, crie o espaço para a conversa e procure, acima de tudo, escutar primeiro o que ela tem a dizer.

Por que será que a criança não quer ir à escola?

Nessa hora, não descarregue uma série de perguntas e nem mostre ansiedade. Seja solidário, sem transferir o problema dela para si e sem exigir que o motivo seja esclarecido imediatamente. Não a julgue.

Muitas vezes o adulto atropela a criança no seu falar e não se abre para aquilo que ela realmente tem a dizer e está sentindo. A criança não tem os mesmos artifícios que o adulto, nem sempre consegue se explicar e, às vezes, se sente ressentida ou acuada.

Em algumas situações, pode ser insuportável para a criança se explicar, o que poderá demandar a ajuda de um profissional.

Ao conversar, deixe a criança ou o adolescente se expressar, enquanto você se mostra curioso e acolhedor como se dissesse “Eu entendo, vamos pensar, ver o que fazer. Tem alguma sugestão?”

Atitude de interesse podem vir em silêncio, “no modo escuta”, o que pode ajudar a criança a se abrir e até mesmo a trazer soluções. Isso só acontece quando você dá o espaço e ela sente que pode confiar.

Por vezes um bom abraço pode aplacar a aflição ou a dor da criança por um momento. Ao se sentir apoiada, ela terá condições de se abrir, de se fortalecer frente ao problema e ser mais autônoma socialmente.

Não tire conclusões precipitadas

Nem sempre os motivos para a recusa escolar são claros a partir da fala da criança e nem sempre há uma correlação direta entre o que ela diz e o que de fato ocorre.

Trazer significados e interpretações precipitados para o mal-estar da criança na escola pode dificultar a situação. Leve o assunto à escola e não saia procurando culpados. Os motivos para o mal-estar da criança podem ser bem diferentes do que você imagina.

A faixa etária da criança ou do pré-adolescente também é um fator a ser levado em consideração. Crianças costumam ter medos e inseguranças em fases específicas do crescimento, o que pode ser mais bem explicado pelo profissional da educação ou da psicologia.

Estabeleça a parceria com a escola, ela pode ajudar!

Uma conversa ou mais com os profissionais da escola, inclusive com o psicólogo escolar faz toda a diferença. Veja os que eles têm de dizer sobre o seu filho.

Bem além de informar o que já foi observado, os professores têm a condição de alterar condutas, ter um olhar diferenciado para o seu filho, inclusive sensibilizar os colegas da turma e envolver os outros pais quando isso for preciso. Os recursos devem assegurar o respeito e a intimidade da criança.

Nessa busca, é preciso dar um tempo para a escola se mobilizar, identificar situações de desconforto da criança e construir ações que podem ajudar a melhorar a situação soco emocional da criança.

Enquanto o problema não se resolve, mantenha o diálogo com seu filho e caso seja necessário, procure a ajuda do psicólogo. Dentro do universo infantil e do adolescente vários motivos podem gerar à recusa escolar:

  • insegurança na separação;
  • não obter a amizade exclusiva de um coleguinha;
  • achar as aulas difíceis;
  • não pode fazer o que quer;
  • sentir-se excluído;
  • perceber-se diferente;
  • sofrer bullying;
  • as coisas não andam bem em casa.

Tudo isso e muito mais acontece a todo momento no universo infantil e do adolescente dentro e, também, fora das escolas.

No enfrentamento de situações difíceis, o olhar cuidadoso por parte dos profissionais da escola e dos pais ajudam no desenvolvimento da criança e em suas aprendizagens.

Participar do sofrimento do seu filho não é uma situação fácil. Mas quando isso acontece, apoie-o e mantenha-se seguro de que você pode ajudá-lo. A escola tem muito o que fazer, principalmente ao se estabelecer uma boa parceria com a família.

Por mais que haja um padrão de comportamento, as particularidades do seu filho são únicas. Ouvi-lo, ser sensível e não passar por cima de seus sentimentos são atitudes de acolhimento que o ajudam a se edificar para futuros enfrentamentos.

Dentro do mundo da recusa escolar e da complexidade do humano, vimos que o diálogo entre criança, pais, profissionais da escola, colegas e outras famílias possibilita uma série de atitudes sinceras e mudanças efetivas que podem auxiliar bastante à criança a fim de superar suas dificuldades no convívio do coletivo dentro do espaço escolar.

O que queremos, afinal, é que as crianças convivam com os colegas em um ambiente agradável, acolhedor e que adorem aprender.

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