A indisciplina na escola é um dos grandes desafios da pedagogia e tem sido tema principal de muitos debates em relação à educação. São comuns histórias que envolvem o assunto, seja na rede pública ou privada, e a reclamação não vem só da desatenção do aluno, mas se soma ao descaso, destrato e à violência.

Nesse embate entre alunos e professores, a docência é instigada, diariamente, a encontrar outras formas de tratar o ensino a fim de promover, na sala de aula, um ambiente de respeito mútuo e de aprendizagem estimulante e participativa.

Isso pode até parecer um convite à receita, mas não é. Trata-se de algo mais complexo que envolve autoridade, respeito, sensibilidade, abertura, autenticidade, conhecimento e traquejo na capacidade de se adequar aos diferentes contextos e situações que envolvem alunos e, muitas vezes, convoca os pais como parceiros, quando isso é possível de acontecer, para se buscar uma educação mais humana.

E nessa busca para compreender como lidar com a indisciplina, você, também pode recorrer a outros artigos que se encontram aqui no blog, trazendo outras questões bem pertinentes, principalmente, naquelas que se remetem a bullying e educação humana. Quanto mais você abrir a mente para as concepções mais humanizantes da Educação, mais apto você estará a lidar com a indisciplina.

Portanto não se limite a pouco, procure ler, ouvir bastante sobre o assunto e não aja sozinho frente a problemas com indisciplina, busque a parceria entre os colegas, procure escutar o que os alunos têm a dizer, isso é muito importante, e se abra para um diálogo mais verdadeiro e menos moralista. Busque soluções compartilhadas.

O que se espera da disciplina em tempos atuais?

A disciplina, em seu sentido etimológico, tem ideia de educar, instruir, aplicar e fundamentar princípios morais, e que seu antônimo – indisciplina – expressa desobediência, confusão ou negação da ordem.

Além deste entendimento técnico, a disciplina pode ser construída em uma relação de afeto e de respeito, na ação de reciprocidade, quando parte das normas podem ser discutidas com os alunos, segundo às necessidades situacionais.

Nessa visão participativa é preciso adotar o princípio da reciprocidade na concepção ética da convivência. Quanto a isso, o professor é tão envolvido na questão do respeito quanto o aluno, pois o verbo respeitar só se conjuga na presença do pronome oblíquo, trazendo o respeito para a linha da interação. Quer ver como fica?

Eu te respeito, você me respeita e nós nos respeitamos.

Nessa condução, pela via da mão dupla, a ética, de acordo com a filósofa e educadora Terezinha Rios, sustenta a ação contínua de desconstrução e reconstrução de ideias, fórmulas e regras que, outrora não questionadas, permaneciam intocáveis como o modo único e certo de se pensar.

Daí, compete ao professor compreender bem a realidade a fim de mediar o diálogo aberto entre aluno, escola e sociedade, no intuito de rever velhas concepções e atualizá-las para melhorar o que é pertinente ao convívio no coletivo.

Quando o ambiente de ensino não se abre a um diálogo aberto e honesto, a indisciplina invade o espaço na relutância do que não se compreende, está ultrapassado e não se é possível mais aceitar. A indisciplina, por vezes, pode aparecer sem justificativas, mas ela não é gratuita.

Nesse sentido, vale a pena repensar o ensino no século XXI, o que é ser professor e o que é ser aluno, o que é, realmente, preparar o aluno para a cidadania. Ainda assim, em uma dimensão mais personalizada, analisar o contexto a ser trabalhado e a condição de cada jovem e de cada criança.

Aspectos que podem ajudar a lidar com a indisciplina

Mas será que os alunos estão mais bagunceiros mesmo? Será que os professores estão com menos autoridade?

As causas para a indisciplina são complexas e incertas. Contudo, podemos destacar alguns aspectos que, frequentemente, estão ligados à disciplina tanto em casa como na escola:

  • a autoridade efetiva do adulto em casa e na escola;
  • a sensibilidade e disponibilidade do adulto;
  • o diálogo (entendimento) família e escola;
  • aulas planejadas de forma envolvente;
  • o nível interesse do aluno nas aulas;
  • acompanhamento dos conteúdos por parte do aluno;
  • o interesse do adulto pelo aluno;
  • a implicação responsável do aluno no processo de aprendizagem;
  • o respeito entre todos os envolvidos.

Ao se falar em autoridade, estamos trazendo o limite à pauta. No cerne da autoridade, a firmeza, do adulto frente aos alunos, coexiste com o respeito pela conquista e pelo merecimento.

Nesse sentido, o professor se mostra conhecedor do que precisa ensinar e consegue lidar com as questões comportamentais de maneira mais justa, tolerante e compreensiva.

Sobre a diferença entre autoritarismo e autoridade é possível assistir ao vídeo com Yves de La Taille e Telma Vinha da Nova Escola.

E como lidar com a indisciplina?

Como dito, não há uma regra pronta para o que deve ser feito a fim de acabar com a indisciplina. Lidar com as situações de insubordinação exige, primeiramente, a integração de todos os agentes envolvidos na formação da criança de maneira colaborativa. Família, escola, professor, sociedade e o próprio aluno têm sua parcela de responsabilidade.

Isto, por vezes, requer uma boa dose de participação, persistência, paciência e resiliência. E ainda, levar em conta que cada caso é um caso e, por isso, o que dá certo com um, pode não funcionar para outro.

Pensando nisto, reunimos alguns pontos que podem ser praticados tanto no ambiente escolar quanto no familiar.

Aulas dinâmicas

Há situações em que a indisciplina na escola surge da falta de interesse do aluno na aula. Isso acontece quando o professor não constrói um ambiente de aprendizagem dinâmico, lúdico e participativo. Para isto, o educador precisa preparar aulas que chamem a atenção dos alunos, que sejam envolventes e criativas. A oportunização às ideias e opiniões dos alunos na construção dessas aulas é imprescindível também.

Estabelecimento de regras

Todo ambiente social é regido por regras. Isto é o que garante o bom convívio na sociedade. Da mesma forma é na família e na escola. Uma criança consciente dos seus deveres e direitos, de sua importância e do resultado deles terá mais facilidade para entender e respeitar a disciplina.

Na sala de aula isto pode ser acordado em conjunto e adequado à idade e à situação. Alunos e professores podem combinar juntos quais serão as regras de convivência em sala de aula, para que todos estejam cientes da dinâmica do ambiente, assim como de seu papel naquela convivência.

Para alguns alunos isso pode estar claro e funciona, mas para outros, mais imaturos na capacidade de conviver em grupo, isso pode ser difícil e exige um trabalho a mais.

As regras podem abarcar as de natureza moral e ética, mas quando discutidas e renovadas criam um ambiente de confiabilidade, o que ajuda bastante nas boas relações entre adultos, jovens e crianças.

Um ambiente afetivo

Um dos melhores caminhos para enfrentar a indisciplina na escola é criar na escola um ambiente de cooperação, onde os alunos aprendam a se respeitar, tanto os educadores como os colegas.

Como vimos, para enfrentar a indisciplina no ambiente escolar, é primordial entender a sua origem, aprender a ouvir as crianças e jovens ainda imaturos mas que têm muito a contribuir para a compreensão da inquietude comportamental

Com o cenário esclarecido, será mais fácil encontrar saídas para resolver as questões. O objetivo é conseguir fazer com que aquele aluno em particular se sinta acolhido em suas necessidades, uma das boas práticas da inclusão.

Nessa construção, em que todos são agentes responsáveis para a boa convivência e o respeito, será possível fazer com que as atividades em sala de aula fluam, de modo que toda a turma possa desenvolver uma boa relação as aprendizagens no ambiente escolar.

Gostou das informações divididas com você aqui? Então, compartilhe com mais pessoas! Quem sabe elas podem encontrar soluções para os casos de indisciplina que enfrentam no dia a dia?