Existe um termo que costuma ser jogado aqui e acolá por profissionais da educação: “Comunidade Escolar”.

Você deve ter mais ou menos uma ideia do que isso significa. Quando se fala em comunidade escolar, nos vem à mente professores, coordenadores e funcionários, além dos alunos e dos pais.

Logo, por exemplo, quando o assunto é “precisamos da participação de toda a comunidade escolar” você, como pai, provavelmente entende que isso o envolve de alguma forma.

Mas que tipo de participação? Exatamente do que estamos falando?

A ideia de comunidade suscita a formação de laços de interesse e cooperação dentre todos que, de alguma forma, estão conectados com a escola.

De forma geral, entendemos que, para os pais, o interesse está no trabalho que a organização escolar desempenha no desenvolvimento dos seus filhos.

Mas essa não é uma relação apenas comercial, pois a escola não é um serviço profissional como outros, no qual você deposita a sua criança e o retira já pronto e educado no final do dia.

A escola, enquanto uma organização, é composta de diversos profissionais especializados em educação, mas existem alguns limites claros à sua atuação.

Isso porque o tempo que a criança passa na escola, sob supervisão dos tutores, é muito pequeno se comparado ao tempo que a criança passa junto aos pais e família.

Também é importante lembrar que os pais ou responsáveis são a principal fonte de influência para crianças, que tendem a espelhar suas posturas, hábitos e formas de pensar – algo que é levado pela criança para dentro da escola.

Pesquisadores da UNESCO observaram uma série de fatores na rotina familiar que apresentam relação com o bom desenvolvimento da vida acadêmica das crianças. Afinal de contas, como os pais podem contribuir junto à escola para o bom desempenho dos seus filhos?

Hábitos na rotina familiar que auxiliam o desempenho

O aprendizado e desenvolvimento devem ser contínuos para todos. Estimular crianças e adolescentes a sempre buscar o crescimento pessoal e ensiná-los que a aprendizagem não deve se restringir a determinado espaço ou contexto é muito importante neste sentido.

Existem algumas práticas cotidianas que apresentam uma forte relação com o bom desempenho escolar e o desenvolvimento dos alunos, algo que a família pode expor aos alunos desde cedo:

  • Conversar diariamente sobre os acontecimentos e o noticiário;
  • Dialogar sobre livros, matérias de jornal e conteúdos relevantes que surjam no dia a dia da família;
  • Organizar visitas em família a bibliotecas, livrarias, museus, jardins, parques, zoológicos, lugares históricos e outras exposições de arte e cultura;

  • Facebook
  • Twitter
  • Email

  • Estabelecer rotinas diárias com tempos definidos para ler, brincar, estudar, dormir, praticar atividades físicas, lembrando que é importante deixar tempo livre também nessa rotina!;
  • Estimular sempre o uso de novas palavras e vocabulários;
  • Assistir documentários, fazer atividades, leituras e jogos educativos junto com as crianças;

Todos estes são fatores que produzem naturalmente nos alunos atitudes, hábitos, mindsets e competências que farão com que o aluno aproveite ao máximo o que o professor ensina, aumentando a eficácia do próprio processo escolar. Se sabemos que estes padrões de vida listados estão diretamente relacionados com melhor desempenho escolar, porque não praticá-los?

Existe um outro fator a ser discutido: saber como anda o progresso da criança dentro da escola. Para isso é fundamental a comunicação.

Comunicação entre pais e a escola

De acordo com pesquisadores da UNESCO, sabe-se que os alunos apresentam melhor desempenho quando pais e professores conseguem estabelecer diálogos sobre as expectativas de aprendizagem, o progresso acadêmico e os hábitos e atitudes dos alunos no ambiente escolar.

Para facilitar essa comunicação, o projeto educativo da escola deve ter uma atmosfera que crie oportunidades de troca entre pais e professores, bem como uma cultura de diálogo.

Há, na verdade, uma via de mão dupla aqui. Professores sentem-se mais motivados à comunicação quando sentem que seus esforços são apreciados tanto pela direção da escola quanto pelos próprios pais. Assim, é importante aos pais demonstrarem que valorizam as informações e contato por parte dos professores.

A comunicação é mais eficiente quando flui em ambas as direções. Sim, deve haver o esforço informativo da escola para com os pais, mas isso não deve se confundir com os momentos de diálogo e troca. Algumas ações podem ser listadas nesse sentido:

  • Criar agendas de entrevistas entre escola, pais e alunos;
  • Criar boletins informativos/jornais da escola com informações pertinentes para pais e alunos;
  • Encontros entre pais e professores, algo que ocorre normalmente ao final de algum período escolar (bimestre, semestre, trimestre) para entrega de boletins e relatórios, mas é importante que não se restrinja a isso;
  • Compartilhamento das atividade semanais da turma através da agenda ou sínteses, principalmente de crianças menores, detalhando atividades e/ou conteúdos que serão trabalhados durante o período, para que os pais possam abordar os temas também dentro de casa;

“É preciso uma aldeia inteira…

…para educar uma criança.” Eis um provérbio africano que demonstra uma realidade: é preciso toda uma comunidade para que as crianças possam se desenvolver em um ambiente seguro e saudável.

Pensar a comunidade escolar envolve a troca de experiências e informações entre os pais e a escola, mas também entre os próprios pais.

De acordo com a Unesco, quando as famílias se relacionam entre si, os laços sociais criados se fortalecem e as crianças passam a ter seu desenvolvimento acompanhado por um maior número de adultos.

Mais importante ainda, os pais são capazes de compartilhar experiências, dar conselhos e ajudar uns aos outros em momentos críticos ou mesmo em pequenos problemas do cotidiano – buscar e trazer na escola, receber o colega do filho em casa durante uma emergência, emprestar algum livro ou material didático, planejar momentos de lazer entre os filhos etc.

Hoje em dia, o afastamento dos pais da comunidade escolar, faz com que eles tenham menos conhecimento sobre a família dos colegas. O resultado disso é que alunos passam o dia sentados uns ao lado dos outros, influenciando-se mutuamente, sem que os pais façam ideia do contexto onde estes colegas estão inseridos!

Que fique claro, a questão aqui não é alertar a um “perigo de más influências”, mas apontar ao fato de que os pais, ao se distanciar uns dos outros, também se distanciam de uma parte importante da experiência dos filhos na escola.

Os alunos se beneficiam quando os adultos em seu ambiente de interação (pais, pais de colegas, professores) compartilham valores sobre educação e proporcionam apoio e orientação consistentes. A criação deste ambiente presume a troca de informações e a formação de laços entre os pais dentro e fora da escola.

Os limites entre Pais e Escolas

Ok, já estabelecemos que a participação dos pais é fundamental dentro da escola, mas como a nossa experiência nos diz, é preciso respeitar alguns limites neste relacionamento.

A necessidade destes limites fica claro quando a boa vontade e o interesse se tornam desejo de controle. O problema, assim, se estabelece quando o diálogo é substituído por um impulso dos pais por interferir diretamente nas ações da escola, não respeitando as áreas de expertise dos profissionais da educação e gestão escolar.

Afinal de contas, a escola é uma organização composta por profissionais treinados e capacitados e que baseiam suas decisões e ações nestes conhecimentos técnicos e experiência.

Isso não quer dizer que a opinião dos pais deva ser ignorada, mas que os questionamentos e opiniões devem ser feitas de forma parcimoniosa e respeitosa.

Quais tipos de comportamento violam estes limites?

Solicitar exceções aos filhos 

É preciso respeitar a individualidade dos alunos e dos pais, mas o compartilhamento de conhecimento e experiências no contexto escolar também passam pelo corpo pedagógico.

Por exemplo, a segurança tem que existir e tem que ser dada a todos, porém  solicitações que envolvem a superproteção podem desproteger.

Existem casos em que os pedidos de exceção são válidos, algo que deve ser avaliado junto com os profissionais da escola.

Discutir ao invés de dialogar

Existe uma diferença básica entre o diálogo e a discussão. O primeiro privilegia a troca e a colaboração, enquanto o segundo prevê uma contraposição de ideias e a tentativa do convencimento.

É importante acima de tudo o diálogo, buscando a construção de soluções conjuntas, mesmo que partindo de pontos de vista divergentes.

Realizar ações contraditórias 

Não concordar com determinada atitude por parte da escola é algo válido. No entanto, é preciso sempre procurar o diálogo com os profissionais na hora de tentar entender os motivos por trás daquilo, buscando equacionar situações que sejam de grande incômodo. 

Divulgar informações sem fundamentos

Dar informações sem fundamentos entre os pais é  forçar a criação de uma agenda alternativa, mesmo que esta não seja a intenção. 

Com os adventos tecnológicos, a velocidade que uma informação se espalha é praticamente instantânea e para cuidar de reparar os danos frente a situações como essa, os profissionais da escola muitas vezes precisam parar suas rotinas, que envolvem o cuidado com os alunos, para canalizarem tempo e energia para esta nova situação que se torna mais urgente.   

Intervir no conteúdo e nos instrumentos pedagógicos 

O currículo escolar no Brasil é ditado pelo Ministério da Educação e não tem origem nos caprichos da escola. Todo o conteúdo é discutido por profissionais e o que é passado em sala de aula deve possuir embasamento teórico e científico. 

Assim, se há dúvidas ou questionamentos quanto ao conteúdo e os instrumentos pedagógicos, o pai deve procurar a escola para conversar, expor suas preocupações, sua opinião,  assim como a escola, deve esclarecer estas dúvidas seja em reuniões ou outros momentos oportunos.

Pais presentes na escola beneficiam seus filhos

É importante ter em mente que a escola não é um serviço profissional como outro qualquer – em que você coloca a criança dentro no início do dia e retira ele no final, educado. 

A escola é parte fundamental do processo de educação mas é parte, e não todo. 

A ponte entre o processo educacional dentro dos muros da escola e no meio social de convivência dos alunos e família é de suma importância. 

Quanto mais interessados forem os pais no que o aluno vivencia dentro da escola, sem atropelar a individualidade da criança ou do jovem,  mais eles são capazes de tornar a rotina da criança uma experiência constante de aprendizado.

  • Facebook
  • Twitter
  • Email

Da mesma forma, a rotina dentro da escola se beneficia das informações, preocupações, atitudes e conhecimentos trazidos pelos pais de seus lares.

Criar canais de participação e estabelecer diálogos é algo que deve ser de preocupação tanto da escola quanto dos pais.

E aí, como é a sua participação na escola do seu filho? É possível dizer que vocês fazem parte de uma verdadeira comunidade escolar? Deixe seu comentário e compartilhe esse texto para expandirmos essa discussão e ajudar a conscientizar a todos acerca da importância dessa participação.