A questão da educação sexual na infância muitas vezes desperta estranheza e resistência de alguns pais. Em geral, nos perguntamos se realmente é necessário falar sobre o assunto. É um tema delicado e que deve ser tratado com responsabilidade, dada sua importância.

Quando é abordado apropriadamente no contexto infantil, pode trazer esclarecimentos às crianças de modo que sirva também de proteção em relação a abusos e violência sexual.

Na dúvida entre falar ou não sobre o assunto, o melhor é estar preparado, pois conversas podem surgir fruto de iniciativas das próprias crianças com seus questionamentos ou depoimentos. O que não é adequado é fugir do assunto! Mas sim, abordá-lo de uma maneira simples e autêntica.

Inclusive, é fundamental estar atento às demonstrações de interesse no assunto por parte das crianças e adolescentes. Como também, aos sinais que elas possam dar de que algo errado pode estar acontecendo.

O que é educação sexual?

Ao contrário do que alguns propagam, o propósito da educação sexual não é ensinar sobre a prática da relação sexual. Não é por aí. A orientação tem mais a ver com a criança reconhecer o seu corpo, suas emoções, saber dos seus limites e dos outros consigo, como se proteger e se preparar para relacionamentos saudáveis.

Educação sexual tem a ver com sentimentos, relações interpessoais, conhecimento do corpo (ciência), saúde emocional. Confira mais a respeito no vídeo:

E mais ainda, a Educação Sexual serve para prevenir e proteger a criança. De acordo com cada idade, as crianças e adolescentes necessitam compreender onde é ou não apropriado serem tocadas, saber que ninguém tem permissão para o toque nas partes íntimas, identificar convites inadequados, aprender a diferença entre afeto e abuso, e a quem recorrer quando se sentirem importunados.

Benefícios da educação sexual

A escola, como ambiente de aprendizagem e vínculo afetivo da criança, naturalmente também se depara com a necessidade de esclarecimentos sobre o tema. Afinal, é um cenário de fonte de informação e conhecimento do mundo, e precisa ser um espaço seguro para esclarecer dúvidas também sobre este assunto.

  • Com a educação sexual as crianças podem identificar um comportamento de um adulto ou adolescente que passou do limite e se tornou abusivo. A educação é uma das formas mais eficientes de combate à violência sexual;
  • Através da abordagem do tema, a criança pode entender melhor o seu próprio corpo, até mesmo como conhecimento em Biologia;
  • Evita que a criança e adolescente sejam expostos ao assunto de maneira inapropriada, seja entre amigos, ou pela internet;
  • É preferível que a criança e/ou adolescente discuta o assunto em sala de aula, do que descobrir sobre sexo expostos à pornografia, ou entre amigos da mesma idade. Ou até, após um episódio de abuso que ela não conseguiu identificar, se defender ou denunciar;
  • O acesso à educação sexual na infância contribui para que as crianças e jovens, quando adultos, tornem-se sexualmente responsáveis, pois o diálogo aberto sobre o assunto evita o início precoce da vida sexual, gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis.

Como abordar a educação sexual?

Para cada idade há um limite de aprofundamento no assunto. Entendendo e definindo este limite, o tema deve ser conversado, ou até explorado de maneira lúdica, autêntica e simples.

Com crianças menores a hora do banho pode ser um bom momento para dialogar com elas sobre seus corpos. Ao apontar e nomear todas partes, é possível explanar sobre quem são as pessoas de confiança que têm permissão para o auxílio com a higiene e outros cuidados íntimos.

Os pais e educadores devem evidenciar a disponibilidade para escutar as crianças e também para esclarecer suas dúvidas. Junto a isto, elas devem ser orientadas a não guardar segredo dos pais e responsáveis, e se sentirem seguras e amadas para que não caiam em ameaças.

Diante do tabu social, é frequente os pais se sentirem inseguros com os questionamentos dos filhos em torno da sexualidade. A escola pode auxiliá-los nesse processo, oferecendo um espaço de escuta, de troca de experiências e de orientação sobre a temática.

Um exemplo realizado pela Casa Escola aconteceu no “Dialogando” com as famílias dos alunos do 5º ano vespertino. No encontro, foram discutidas sexualidade e transição para adolescência entre os pais, a equipe pedagógica e a psicóloga escolar, Juliana Gomes de Melo.

Os pais se sentiram confortados em saber que a escola está atenta às crianças em função do desenvolvimento sexual e disposta a ajudar às famílias a lidar com esta responsabilidade  que  envolve cuidar, realmente, desta entrada da criança na adolescência.

Com isso, puderam debater sobre o que significa ser adolescente, em como agir e interagir com os filhos e, inclusive, sobre a importância de se manter a linha do diálogo entre adulto e jovem. Sem isso não há conversa entre os pares e para suprir a curiosidade, a garotada vai buscar outras fontes… E que fontes serão essas?

Juliana, a psicóloga escolar da Casa Escola,  alerta que as crianças necessitam de pessoas em quem possam confiar e de um meio emocional sólido e constante, que esteja disponível para responder de forma natural, direta e adequada às suas questões. Elas valorizam conversar sobre esses assuntos com alguém e falar o que passa pelas ideias. Um caminho possível para os adultos pode ser orientar em cima do que elas necessitam saber, abordando o assunto de dentro para fora ou situado num contexto.

Também fica um alerta que uma boa ação dos pais é evitar expor as crianças a filmes e jogos que enfatizem a eroticidade além da conta. Até mesmo filmes infantis podem trazer cenas e situações que não são adequadas para a idade. Por isso, os pais devem ficar sempre atentos para acompanhar ou limitar o acesso.

Há vídeos produzidos por diversas entidades sérias que abordam o assunto no sentido de ultrapassar os tabus e poder falar para cuidar da formação sexual da criança e do adolescente.

Falar sobre sexualidade promove o autoconhecimento dos jovens e adolescentes e evita a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo a psicóloga Anna Cláudia Eutrópio, debater este assunto é um dever da sociedade, da família, da escola,  da igreja e do Estado.

Você pode assistir  um bom vídeo sobre a importância da Educação Sexual com a psicóloga Anna Cláudia clicando aqui

Alguns livros, também, são uma ótima opção para tratar sobre educação sexual na infância de forma menos invasiva, trazendo informações e valores que educam a criança e o jovem para o  autocuidado e autonomia saudável para lidar com sexo e o vasto campo da sexualidade. Fomos buscar no site da Nós e Voz  alguns bons exemplos de livros para você:

Depois deste papo cabeça sobre sexualidade na infância e adolescência e todo um material para lhe ajudar a superar os tabus e começar a conversar sobre o assunto, fica a pergunta: Qual a sua opinião sobre o tema? Comenta aqui no blog!