Quando pensamos em indisciplina, na maioria das vezes, nos deparamos com famílias angustiadas a nos indagar sobre como deveriam agir diante de comportamentos inadequados de seus filhos.

Punir? Ensinar? Dar sermão? Mostrar o caminho certo? Existe uma receita pronta?

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É preciso compreender que cada saída é única e singular. Cada caso é “o caso”, para uma família que é única em uma situação peculiar.

Não há um manual da perfeição, mas existem algumas saídas possíveis sobre como a criança aprende a comportar-se, dentre elas há a abordagem da Educação Positiva, que tem se popularizado.

O que é Educação Positiva?

A Educação Positiva é um termo que vem ganhando espaço e popularidade entre pais e mães.

É uma abordagem de disciplina que reúne ferramentas práticas para ensinar habilidades sociais como respeito, autonomia, autodisciplina, empatia e resolução para os problemas.

A Educação Positiva visa melhorar o relacionamento entre pais e filhos e entre professores e alunos.

Ela tem como princípio a abordagem Cognitivo Comportamental.

Na Educação Positiva, se a criança faz birra, desobedece, há uma forma de se colocar limites sem o sentido de punir, coagir ou humilhar.

É possível disciplinar através do exemplo, encorajamento e apoio, sem que seja necessário usar o castigo ou recompensa.

A ideia é educar com base no respeito, na empatia, no exemplo, na gentileza e na promoção da autonomia, sem deixar de estabelecer limites.

Para isso seria preciso desconstruir a ideia de disciplina tal qual, nós adultos, a recebemos na infância.

Assim, aprender como ser firmes e gentis ao mesmo tempo, exercendo uma liderança familiar que leva em consideração as etapas do desenvolvimento e as individualidades da criança.

O princípio da Educação Positiva seria criar crianças mais felizes e, consequentemente, cidadãos felizes, contribuindo para a construção de um mundo melhor para todos.

Propiciar aos pais caminhos para ajudarem seus filhos a se tornarem responsáveis, autônomos, competentes, autoconfiante e afetivos.

Seria um ideal romântico, uma utopia ou, quem sabe, um horizonte atingível?

A perspectiva comportamental tem trazido várias contribuições para a Educação em si, no entanto, fica a ressalva acerca de sua ancoragem nos padrões comportamentais, o que leva a pensar em resultados a curto prazo e com soluções mais lineares e homogêneas.

Mas quando o assunto é educar e não apenas disciplinar, optamos por uma atitude mais autêntica e de escuta em que a fala da criança é valorizada, o que pode favorecer o aprofundamento na situação de uma criança específica e, ainda, aumentar o vínculo, criando mais confiança e segurança para ela.

A Educação Positiva, por vezes, recai na repetição como modo de educar, ao encorajamento como solução, o que pode levar a caminhos curtos, porém não tão reflexivos, pois desconsideram as subjetividades e recaem no treinamento.

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Pensar a educação por este viés sugere a busca por padrões de comportamentos, os quais podem inviabilizar a construção da autonomia de forma mais sólida e sensível.

No entanto, a perspectiva comportamentalista tem trazido contribuições consideráveis para o ato de educar, inclusive há casos específicos em que a Educação Positiva traz uma estruturação necessária. Nessa compreensão, a Educação Positiva é coerente em sua proposta ao frisar:

  • A importância de se construir e manter vínculos com os filhos;
  • Estar realmente presentes na vida dos pequenos;
  • Auxiliar para que se sintam conectados, aceitos e capazes de contribuir.

Seguem, então, os 12 princípios para uma Educação Positiva, indicados pela psicóloga Lidia Weber, autora do livro Eduque com carinho:

1. Amor incondicional

Ame o seu filho pelo que ele é e não pelo que ele faz, quanto mais amado ele se sente, será mais aberto e capaz de aceitar as regras e de se tornar mais sensível ao outros.

2. Conhecer os princípios do comportamento

É preciso perceber por que razão uma criança se comporta de maneira inadequada, dar espaço para o seu modo de reagir e não o rotular.

3. Conhecer o desenvolvimento de uma criança

Os pais devem conhecer os comportamentos e as necessidades próprias de cada idade da criança. Nem sempre um mau comportamento é uma provocação. Por isso, seja um guia, ensine e não julgue ou condene sempre as atitudes negativas do seu filho.

4. Autoconhecimento

Perceber que tipo de pai/mãe realiza as práticas educativas parentais para disciplinar (no sentido de educar). Idealmente, uma boa educação deve incluir, de forma equilibrada, limites e regras, afeto e envolvimento.

5. Comunicação positiva

Procure comunicar-se de forma positiva e clara com o seu filho, para o ajudar também a expressar os seus sentimentos. Use frases e atitudes positivas no seu dia a dia. Valorize o que o seu filho realiza de forma autêntica.

6. Envolvimento

Disponha de tempo para estar com os seus filhos. É fundamental envolver-se e participar integralmente na vida da criança sem ser intrusivo. Construa memórias felizes em conjunto.

7. Usar consequências positivas para reforçar, elogiar e/ou valorizar

Apresente consequências ao comportamento adequado. Reforce, elogie, mostre orgulho, deste modo estará valorizando o comportamento do seu filho. Promova um clima familiar carinhoso no qual a criança se sinta aceita, orientada e apoiada.

8. Apresentar regras e supervisionar o comportamento

Regras e limites são fundamentais na educação de todas as crianças. Além disso, as regras devem ter supervisão e ser consistentes.

Já que o seu filho não é um robô, mais cedo ou mais tarde, ele quebrará as regras para desafiar e testar até onde pode ir. Seja firme sem precisar perder a calma. Lembre-se que crianças são crianças.

9. Ser consistente

Lídia Weber afirma que a “consistência constrói confiança.” Ser consistente é aplicar as mesmas regras sempre com o mesmo fim. Se uma regra é quebrada muitas vezes, verifique se a culpa é da regra, da falta de consistência ou da ausência de supervisão.

Evite estabelecer uma regra quando não tem a certeza de que será consistente em relação a ela. As crianças vão testar sempre a sua firmeza, por isso só lhe resta ter muita paciência.

10. Não usar punição corporal, mas consequências lógicas

Os pais devem ter em mente que existem sempre alternativas à punição corporal, tais como a conversa, ignorar alguns comportamentos que não sejam a agressividade, estabelecer castigos ou penalidades mais adequadas à criança e apresentar consequências lógicas.

Fica o alerta de que o uso da punição pode trazer danos psicológicos e consequências muito negativas ao desenvolvimento da criança.

11. Ser um modelo moral

Lídia Weber, psicóloga cognitivo comportamental, adverte: “o clima do seu lar deve ser um porto seguro onde os membros da família querem voltar e onde se sentem amadas e seguras”.

Isso se traduz por tratar os filhos e o cônjuge com respeito, pois se existir consideração e amor, o ambiente e os laços familiares serão reforçados. Aja como gostaria que o seu filho agisse.

A psicóloga ainda acrescenta que se determinada regra for diferente para adultos e crianças, explique ao seu filho o porquê.

Lembre-se que a sua família é preciosa, por isso evite descarregar problemas de outra ordem nas pessoas que ama.

Treine comportamentos de autocontrole, e quando estiver aborrecido, pense, conte até vinte, isole-se um pouco, mas não ofenda, não grite e não humilhe quem estiver por perto.

12. Educar para a autonomia

  • Eduque para a autonomia, primeiro dê raízes e depois, asas.
  • Saiba que amar um filho passa também por permitir a sua independência, por isso dê espaço para que a criança faça suas escolhas.
  • A autonomia deve ser construída sob o olhar cuidadoso do adulto.
  • Deixe a criança errar e passar por suas próprias experiências.

Disciplina sem agressão

Um ponto claro na Educação Positiva é com relação ao termo disciplina. É um termo que jamais deve estar associado como sinônimo de agressão física, nem mesmo em momentos em que se pensa que não há nada a ser feito.

Além de existir leis que proíbem a palmada, a ciência e os especialistas são unânimes em afirmar que agressões como tapas, beliscões, chineladas, gritos e outras formas de violência física e verbal, trazem consequências negativas.

Existe uma pesquisa bastante significativa na Universidade do Texas e de Michigan (EUA) em que realizaram um estudo com mais de 160 mil crianças – o maior já feito com esse tema – e concluíram que, quanto mais as crianças apanham, mais elas desafiam os pais.

Elas se tornam antissociais, ficam agressivas e podem trazer consequências em nível cognitivo, emocional, social e até mesmo fisiológico.

Por isso, a Educação Positiva é aquela construída na base do diálogo e das consequências das ações, que ensina a criança sobre limites e comportamentos adequados para uma boa convivência familiar e social.

Nesta visão de educar sem humilhar e nem machucar a criança, a família pode precisar de suporte para que se sinta mais segura em suas atitudes.

A diferença entre o educar com punição e a Educação Positiva está na firmeza do adulto permeada pela gentileza e por aquele tom que não recrimina.

A Educação Positiva trabalha com norteadores éticos no sentido de trazer valores mais humanos ao ato de educar. É possível dar à criança a oportunidade dela elaborar o novo comportamento em um ambiente de empatia.

Mas para que isso realmente venha a se estabelecer, é preciso, de uma maneira geral e sincera, acolher os sentimentos da criança. De certa forma, se colocar no lugar dela, mostrar que a entende e se solidarizar pelo momento em que ela está vivendo.

Para finalizar, um caminho para a escola, enquanto parceira das famílias, é ofertar um espaço de conversação no qual os professores, pais e alunos possam falar sobre suas experiências, inquietações e angústias.

Um lugar no qual acreditamos que os envolvidos podem vislumbrar soluções inéditas para os impasses inerentes à educação.

Para aumentar as possibilidades de intervenção na hora de colocar o limite, seguem duas dicas interessantes de leitura:

  • Disciplina sem Drama – Guia prático para ajudar na educação, desenvolvimento e comportamento dos seus filhos – Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson
  • Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho falar – Adele Faber, Elaine Mazlish

Se você ainda não tem e quer criar um espaço de diálogo verdadeiro com seu filho, procure ler mais o que se fala sobre como educar uma criança, sobre como dialogar, converse com outros pais, converse com a escola. E principalmente: Converse com seu filho e escute verdadeiramente o que ele tem a dizer.

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