No nosso dia a dia, usamos o dinheiro que recebemos para os mais diversos fins. E, se não tomarmos cuidado, nos endividamos. Por isso, ter um bom controle financeiro pode garantir menos estresse e uma vida mais estável para a família.

Mas não adianta pensar que os filhos nascerão com o dom da boa administração, ou que a escola é a única responsável pela educação financeira. É importante que o controle de gastos inicie em casa, no ambiente familiar.

O papel dos pais é instruir seus filhos na relação com o dinheiro. No entendimento do valor das coisas, na gestão dos recursos, hábitos, escolhas. Contudo, antes de pensar em como transmitir essas lições, é preciso ter a consciência de que a tarefa de ensinar se dá, principalmente, pelo exemplo. Afinal, como diz o ditado, “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”.

A educação financeira é um investimento para o futuro das crianças, de modo que se tornem adultos com um relacionamento saudável com o dinheiro: sem dívidas, com uma vida equilibrada, enfim, bons gestores de seus recursos.

Em tempos de crise econômica, como a atual que vivemos devido à pandemia da Covid-19, é que se revela o real valor de uma boa gestão financeira. Algo que não é realidade em boa parte das famílias brasileiras.

De acordo com pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a quantidade de famílias no Brasil que afirmam ter dívidas foi a maior nos últimos dez anos. O percentual de famílias endividadas foi de 66,5% em 2020, enquanto em 2019 a média foi de 64,6%.

Veja a seguir uma lista de dicas para pôr em prática a educação financeira com as crianças:

1. Seja um exemplo

Já falamos aqui da importância de os filhos terem as pessoas com quem convivem como um modelo de bons gestores, mas não custa reforçar. Afinal, não adianta exigir das crianças algo que você não pratica.

Mas, o que seria “ser exemplo”? Os filhos observam seus pais o tempo todo e reproduzem seus hábitos. Com certeza, estarão atentos também aos seus comportamentos de consumo: se a família está sempre com dívidas, a importância que dão a determinadas compras, o que é prioridade nas finanças…

Então, se esforce em cuidar bem do dinheiro que ganha e tenha boas práticas de gestão, se deseja que seu filho lide bem com o dinheiro.

2. Quanto antes, melhor

Não espere surgir a necessidade de conversar sobre o tema para introduzir as lições de finanças aos filhos. A partir dos três anos de idade as crianças já podem aprender a poupar e planejar os próprios gastos.

O assunto pode ser introduzido de maneira leve, com atividades lúdicas e/ou na rotina da família, em um envolvimento gradual.

No período da primeira infância, é possível ensinar às crianças o valor das coisas, noções de gestão a partir da necessidade de escolhas. Ao longo do tempo, à medida que elas crescem e ampliam a compreensão, conceitos mais profundos podem ser compartilhados.

3. Incentive o hábito de poupar

Uma ideia interessante é presentear a criança, ou até construir com ela, um cofrinho, para que adquira o hábito de poupar. Uma boa dica é dar preferência a um cofre transparente, para um melhor entendimento sobre o conceito de acumular dinheiro.

Este ato de guardar deve estar aliado a um objetivo de compra, algo que a criança queira muito: um brinquedo, um passeio em um parque, um novo jogo. Vale colocar a foto do objeto de desejo junto ao cofre e até uma marquinha na altura prevista para a conquista do valor necessário.

Já na adolescência, com mais autonomia para a administração do dinheiro, pode ser considerada a possibilidade de abrir uma conta poupança em seu nome. Os valores depositados certamente serão maiores e a meta também.

4. Prepare a criança para decisões financeiras

Já instruído sobre a importância de guardar dinheiro, é hora de entender o que fazer com ele. Que tal separar uma quantia do cofre e explicar ao filho que ele pode utilizar o valor para adquirir algo? Neste processo de decisão, converse sobre a importância e necessidade do produto a ser escolhido.

Já nas brincadeiras, que tal montar um supermercado de ‘faz-de-conta’, com notas que aparentem dinheiro e taxação de preços nos objetos? Nesta atividade, as crianças também poderão vivenciar a prática de escolha, e até mesmo conceitos básicos de matemática.

E já que estamos falando de ‘faz-de-conta’, Jogo da Vida e Banco Imobiliário também são clássicos para a compreensão de certos conceitos financeiros e podem ser um passatempo divertido em família.

5. Explique os ‘nãos’

Um dos maiores e principais equívocos das famílias é aquele comportamento do “ou oito, ou oitenta”: tudo o que a criança pede é dado na mesma hora, e quando não é possível, recebe um “não” limpo e seco.

Explique com paciência o motivo da recusa, se é pelo alto valor do produto, ou se é por ser algo desnecessário, ou ainda que pode ser comprado em outro momento. É relevante que a criança entenda os limites para o uso do dinheiro.

6. Mostre que o dinheiro é ganho por esforço

É interessante que desde cedo a criança entenda que o recebimento do dinheiro é resultado de empenho e trabalho. Uma alternativa para esta lição é condicionar a mesada ao cumprimento de tarefas específicas. Isso irá ajudar a perceber que quem não trabalha também não ganha.

Porém, jamais associe o direito à mesada com as notas escolares, ou outras atividades de responsabilidade da criança, como a auto higienização, por exemplo. Ela deve ter consciência de que o estudo é um compromisso dela, e que não há pagamento em troca dos resultados.

Uma boa conversa sobre o trabalho dos pais também pode corroborar esta compreensão. Os pais podem explicar sobre as suas atividades profissionais, o tempo que dedicam a isto e os aprendizados adquiridos para o exercício do ofício.

Mostre também os frutos: o salário recebido e os ganhos para a família. As compras do supermercado que resultam nas refeições, o uso da internet, a gasolina que permite os passeios…

7. Exercite a generosidade

Ao falar do bom uso das finanças, da diferença entre as coisas necessárias e os objetos de desejo, mostre ainda a importância de ser generoso com aqueles que não têm acesso ao dinheiro com facilidade.

Que tal fazer uma compra para doação ou juntar um valor para auxiliar uma instituição de caridade? Enfatize que este ato não deve ser algo apenas por obrigação, mas que seja feito de bom grado, desejando o bem-estar do outro.

Conclusão

São muitos os motivos e maneiras para colocar em prática a instrução sobre finanças com os filhos. Sabia que o conhecimento nesta área pode influenciar na futura vida pessoal e até mesmo a profissional? Diversas empresas consideram o crédito positivo de funcionários (ou candidatos a cargos), pois demonstra a habilidade de gerenciamento profissional.

Então, comece já a lidar com o tema em casa. Caso deseje se aprofundar ainda mais no assunto, no texto “Economia doméstica: como falar sobre o tema com os seus filhos?” no nosso blog há mais orientações para o aprendizado.