A diversidade é a cara do Brasil: nossas origens têm a mistura do sangue índio, português, africano, italiano, espanhol… Para garantir o respeito a ela, a igualdade é um direito assegurado por lei. No entanto, casos e mais casos de discriminação e intolerância são cada vez mais frequentes. Por isso, fica a questão: como o Brasil, um país tão diverso, é tão preconceituoso?

A questão é muito ampla e a discussão profunda, mas é necessário refletir o porquê deste comportamento ser perpetuado, o que repercute no comportamento das crianças. Isso se dá porque, infelizmente, desde cedo os pequenos têm contato com o preconceito por meio de discursos pejorativos protagonizados pelos adultos com quem convivem.

O que pode diferenciar a forma como os pequenos lidam com o assunto e, consequentemente, que cidadãos serão no futuro, é a forma com que se trabalha a diversidade ainda na infância. Esse trabalho deve ser realizado em casa, mas também e, principalmente, na escola, pois é lá onde a convivência com a diferença é acentuada e mais presente.

Qual o papel da escola na diversidade?

A chegada da criança na escola é um verdadeiro choque de realidades. Uma criança de família católica, por exemplo, pode não aceitar a prática de outra religião. Ou, sendo saudável, pode deparar-se com um colega com alguma deficiência e não saber lidar. Uma menina branca e loura pode estranhar e hostilizar etnias diferentes da dela.

O primeiro contato com gostos, culturas, etnias e religiões diferentes do que se está acostumado pode, em um primeiro momento, ser assustar. Esse sentimento é natural, afinal a criança encontra-se agora diante de várias dinâmicas que não conhecia e precisa de ajuda para aprender a lidar com essa a realidade.

É neste instante, que sutilmente, a diversidade deve ser mostrada com muita sensibilidade, para que o pequeno não se sinta acuado. Este trabalho de conscientização e empatia precisa ser realizado pelo time família-escola e fortalecido diariamente. E a consciência de continuidade é um dos principais pilares para também se evitar o bullying escolar e casos de discriminação.

Como a escola lida com a diversidade?

O primeiro passo para que a escola trabalhe efetivamente essas ações é tratar a diversidade com naturalidade e não como um conteúdo específico que precisa ser estudado como uma disciplina. Uma boa instituição deve inserir o assunto com sutileza nas aulas relacionadas e em dinâmicas e momentos de descontração, para que a criança perceba que o natural mesmo é respeitar a diversidade.

Evidenciar a diferença a partir do estudo da história brasileira é essencial para que, desde pequenos, os estudantes compreendam o processo de formação da população e o privilégio de certas raças e culturas em detrimento de outras. Outros temas como imigração e conflitos entre países também podem despertar o olhar crítico sobre a intolerância.

Além disso, é importante que esse processo contínuo se relacione com outros segmentos dentro da escola. Veja alguns exemplos de como a escola pode atuar para que seu filho compreenda e absorva bem a diversidade à sua volta.

A diversidade no material didático

Uma instituição preocupada com a formação cidadã do aluno preza por materiais e livros didáticos que não reproduzam situações de discriminação. O ideal é escolher obras que não tragam estigmas e valorizem as diferenças.

Quando a criança lê livros e se depara com diferentes etnias, classes sociais, pessoas com deficiências físicas ou mentais ela percebe que existem outras realidades e não apenas o padrão em que está inserida.

Diversidade por meio de filmes

Outra ação eficiente de ser aplicada nas escolas é levar aos alunos filmes que fujam dos padrões estereotipados. Evidenciar películas com princesas negras e heroínas mulheres, por exemplo, trazem aos alunos a visão de que não há etnia superior e nem sexo frágil.

Integração através de dinâmicas

O relacionamento com os outros alunos e a percepção do outro pode ser trabalhada pela escola também através de dinâmicas. Colocar as crianças em situações que enxerguem o mundo pelos olhos de outra pessoa auxiliam nesse processo de empatia e entendimento da diversidade.

É importante ainda que os gestores escolares estejam atentos às relações que os estudantes estão estabelecendo, aos brinquedos que eles preferem e ao seu comportamento frente a determinadas situações.

Cada criança reage de uma forma diferente quando está desconfortável ou tem um primeiro contato com pessoas de realidades diferentes. A escola precisa estar atenta para que nem seu filho nem os colegas dele passem por momentos difíceis ou sofram preconceito na instituição.

Um longo caminho

Desconstruir padrões já estabelecidos é uma tarefa difícil e não é uma ação que vai transformar instantaneamente a visão de mundo de uma criança. Por isso, ações de integração são essenciais na formação cidadã e humanizada do aluno.

Portanto, é mais que necessário, além de desconstruir, construir a visão de que os padrões não existem, são impostos, e o que importante mesmo é celebrar a diversidade da sociedade.

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