Sabemos que a tecnologia faz parte do dia a dia das crianças e adolescentes no mundo inteiro.

Essa facilidade no acesso a informação tem papel fundamental não só no entretenimento, mas também atua como um grande auxílio no desenvolvimento e aprendizado.

Uma das plataformas mais usadas é o Youtube, e como já falamos aqui, é uma ferramenta poderosa, mas com ressalvas devido à infinidade de conteúdos, onde muitas vezes o filtro pode falhar e trazer algo impróprio para os jovens.

Por isso, sugerimos que esse contato deva ser sempre intermediado por um responsável.

De forma geral, o Youtube não recomenda que menores de 13 anos de idade assistam o site sem supervisão. Mas a realidade é que é muito difícil exercer esse controle.

Para buscar melhor harmonia entre as vantagens da plataforma em termos de entretenimento, e mesmo conteúdo educacional e seus perigos, as seguintes atitudes podem ser adotadas:

1. Use o Youtube Kids

  • Facebook
  • Twitter
  • Email

Não é algo novo, mas muitos pais ignoram a existência dessa sub-plataforma que ainda possui uma adesão baixa. O Youtube Kids é um aplicativo próprio, com temática, cores, música, funcionalidades e layout desenhados especificamente para crianças (para ser honesta, a música é levemente irritante para adultos).

Os benefícios do Youtube Kids são evidentes em relação ao Youtube, especialmente para crianças até 8 anos. Nela, os responsáveis precisam criar o perfil da criança, incluindo a idade, o que irá influenciar na adequação das recomendações para cada faixa etária.

Os responsáveis também podem optar por apenas permitir que as crianças assistam conteúdo previamente aprovado e selecionado pelos próprios responsáveis.

Por exemplo, pode-se aprovar canais de música infantil ou desenhos da Turma da Mônica, e apenas isso estará disponível.

Caso não tenha o interesse em fazer essa seleção, os responsáveis também podem eliminar a função de busca e a criança apenas poderá selecionar as opções recomendadas pela própria plataforma.

A função de busca também possui filtros. Tente buscar as palavras “pegadinha”, “violência”, “morte”, ou mesmo “Anitta” ou “Faustão” e a ferramenta não dará resultados. Uma pesquisa com a palavra “Neymar” ou “Ronaldinho”, por exemplo, apenas trará vídeos com jogadas desses atletas do futebol, sem qualquer informação referente a suas indiscrições pessoais.

Também é possível marcar a opção de não usar os hábitos de consumo de vídeos para novas recomendações, reduzindo potencialmente a compulsividade da criança.

Importante: o Youtube Kids não irá funcionar no navegador do computador, apenas em aplicativos que podem ser instalados em aparelhos celulares, tablets, vídeo games e alguns modelos de Smart TV.

2. Não deixe crianças pequenas assistindo sem supervisão

Para crianças com até 8 anos de idade (em média), é recomendado que o contato com a plataforma seja feito principalmente pelo Youtube Kids, exposto acima.

Mas, mesmo através do Youtube Kids, a não ser que esteja usando a função de apenas mostrar conteúdo pré-aprovado pelos pais, sempre há a possibilidade de se encontrar vídeos que os pais considerem inadequados.

E é importante ter isso em mente, pois é algo muito relativo. Uma coisa que um pai ou mãe pode achar inofensivo para o seu filho pode ser visto como inapropriado por outro.

Alguns pais podem considerar conteúdo religioso adequado para o seu filho, outros não. Muitos pais ficam incomodados que o filho assista propagandas de brinquedos, enquanto outros não se importam.

Lembrando que mesmo a plataforma Youtube Kids possui muito conteúdo amador e de baixa qualidade. Além do mais, é possível também que conteúdos impróprios sejam disponibilizados acidentalmente na plataforma.

Desta forma, evite ao máximo que crianças mais novas fiquem por longos períodos de tempo acessando a plataforma sem supervisão dos responsáveis. Esteja atento ao que ela está assistindo.

Se descobrir que ela está assistindo algo que você não ache legal, converse e explique o motivo. Você pode bloquear qualquer vídeo ou canal que considere inadequado em um clique.

3. Acione a restrição de conteúdo

Se você é pai de um adolescente, objetivamente não há muito o que fazer em relação ao Youtube.

Para certos conteúdos é necessário confirmar ser maior de 18 anos. Adolescentes na era digital conseguem burlar isso facilmente.

Também é possível restringir as configurações os resultados, filtrando conteúdos eróticos ou violentos. Mas é muito fácil para um adolescente ou criança mais conectada (a norma hoje em dia) ligar e desligar a restrição conforme sua vontade.

Isso não significa que a tentativa não seja válida. A restrição de conteúdo pode ser acionada quando o usuário está logado na plataforma. Para acionar, clique no perfil do usuário, que se localiza no canto superior direito da tela.

Um menu irá aparecer cobrindo a parte direita da tela. Ao final, estará a opção sobre modo restrito que provavelmente estará desativada. Clique ali para ativar a restrição que funcionará apenas para o dispositivo em questão.

A restrição de conteúdo não é perfeita, mas irá filtrar bastante coisa

4. Delimite o tempo e estabeleça regras para o uso do Youtube

Delimitar o tempo é algo que os pais devem fazer, sabendo que quanto maior a idade, mais difícil é o controle e o processo de negociação. Existe o tempo dedicado ao estudo, tempo para família, tempo para atividades extracurriculares (esportes, robótica, inglês, música…), tempo para brincadeiras e tempo para o Youtube.

A maior dificuldade aí é controlar para que o tempo no Youtube não roube espaço do tempo para brincadeiras e para interações com a família.

Vídeos não são substitutos para brincadeiras.  Seja com bonecos, jogos de tabuleiro, correndo pelo quintal, playground, brincando de cozinhar: brincadeiras exercitam a criatividade, a imaginação, a sociabilidade, exercitam o corpo e são muito importantes no desenvolvimento infantil.

Desta forma, não contabilize o tempo na plataforma como substituto do horário para brincadeiras.

Em relação ao tempo com a família, especialmente com crianças mais velhas e adolescentes, não é incomum hoje observar uma família junta, cada um dentro do universo do seu próprio aparelho.

É certo que é agradável assistir um vídeo engraçado em família, compartilhar, rir e fazer piada, mas existe um problema quando a maior parte da interação passa a ser mediada por tecnologia.

Muitos pais não percebem, mas os hábitos das crianças e adolescentes quanto à tecnologia muitas vezes são um espelho deles com estes mesmos aparelhos.

Para crianças mais novas, no meio da programação diária, coloque um tempo delimitado na agenda para Youtube, seja depois do almoço ou depois do dever de casa.

Também vale horários ocasionais quando conveniente: “Ok, agora meia hora para você assistir algum vídeo” ou “Enquanto eu organizo o jantar, assista um pouco daquele canal que você gosta”.

É importante que tenha começo, meio e fim e que você esteja no controle sobre o horário.

Para crianças mais velhas (8-12 anos) e adolescentes, esse tipo de controle realisticamente se torna mais difícil. Uma forma de lidar é através das rotinas, horários, obrigações e regras que eles devem cumprir no dia a dia e que não podem ser comprometidas com o tempo assistindo vídeos.

A ideia é alinhar o senso de responsabilidade com a liberdade. Se para os pais não for adequado assistir vídeos em horários de interação familiar, deixar de fazer o dever de casa, ou fazer brincadeiras de mau gosto inspiradas no comportamento de youtubers, então essas regras devem ser bem estabelecidas.

5. Converse abertamente sobre o que é adequado ou não

Com restrições ou não, fato é que muito conteúdo duvidoso ainda pode ser facilmente encontrado. Isso pode aparecer na forma de propagandas e estímulos ao consumismo exagerado, brincadeiras de mau gosto ou mesmo conteúdo descerebrado e tosco, mas que não ferem diretamente as diretrizes da plataforma.

Vídeos de pré-adolescentes ostentando roupas e tecnologias recém compradas, adolescentes enchendo banheiras com creme de avelã, crianças chantageando o pai em troca de brinquedos, “youtubers”, como são chamados os criadores de conteúdo, oferecendo produtos diretamente para crianças, menores de idade dançando músicas de conteúdo erótico… A lista de vídeos questionáveis é muito longa.

Essas “calorias vazias” do Youtube preenchem a plataforma e bilhões de horas são assistidas todos os dias por crianças e adolescentes, sendo especialmente populares nessa segunda faixa etária.

O papel dos responsáveis aqui é de contextualização e conscientização. O que realmente está acontecendo ali? Por que aquilo é divertido? Alguém está sendo prejudicado? Qual o real valor daquele vídeo?

Se banir o acesso a canais específicos não é a melhor solução para adolescentes, fazer com que eles reflitam sobre a natureza do que está sendo assistido pode ser uma forma de gerar autorreflexão.

6. Descubra mais sobre o conteúdo que estão assistindo

Pode ser um pouco assustador pensar isso, mas a realidade é que o Youtube proporciona uma experiência cultural ao seu filho totalmente diferente da sua. Os conteúdos que parecem populares a você, provavelmente não são sugeridos aos seus filhos e vice-versa.

Essa alienação do universo cultural dos filhos, se não é algo necessariamente novo, certamente se agrava.

Os rostos das celebridades infanto-juvenis de antigamente estavam em capas de revista, na televisão e propagandas em todos os lugares.

Hoje, as celebridades youtubers, mesmo com milhões de acessos por vídeo, raramente escapam o meio das redes sociais e geralmente ecoam dentro de um mesmo público.

Converse com seus filhos sobre o conteúdo favorito deles. Quais os canais que ele mais assiste? O que acha mais interessante, engraçado e divertido?

Muitos youtubers não se abstém de expor os dramas pessoais, sua história e seu cotidiano. Isso tem como consequência um envolvimento maior dos usuários, que podem ver esses youtubers com a mesma lente que enxerga os amigos.

Assim, é importante ter o conhecimento sobre quem são essas pessoas, quais são os temas que ele mais assiste, como forma de entender e contextualizar o comportamento, as informações e as opiniões que ele retira da plataforma.

***

Traga esse tema para sua família e seus amigos e veja que isso não acontece apenas com você. Pare e preste atenção na quantidade de tempo que seu filho gasta assistindo por dia e tente entender melhor esses motivos.

O Youtube não vai sair de moda tão cedo, então é preciso estabelecer uma relação saudável e que não comprometa a vida real.

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