Infelizmente, o prazer pela leitura tem se perdido ao longo do crescimento da criança, especialmente na adolescência e na fase adulta. Segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada em setembro de 2020, o país perdeu 4,6 milhões de leitores adultos em quatro anos.

Mesmo com os inúmeros benefícios que o ato de ler proporciona, a resistência para esta prática aumenta.

Veja quantos ganhos há com a leitura quando se lê o que é realmente literário:

  • aumento do vocabulário
  • melhoria na escrita
  • acesso a novas informações e a diferentes culturas
  • fortalecimento dos vínculos afetivos
  • ampliação de visão de mundo (e esse é o melhor dos ganhos!)

Qualquer que seja a situação, para adquirir estes benefícios, a prática da leitura precisa se tornar antes de tudo um prazer a ser construído no ambiente amoroso e  estimulante desde cedo. Bem cedo, mesmo.

O bebê pode ouvir histórias contadas pelos pais e se habituar com a cadência das vozes e as diferentes entonações. Ou até mesmo ser levado ao toque no livro adequado à idade e passar suas folhas em busca das imagens que o adulto fala e traduz, por exemplo.

O estímulo precoce pode ser um incentivo para a familiarização com o livro físico. Sim, físico, por favor! Nada de apresentar tablets com musiquinhas para o bebê ficar fixado ou aprisionado à tela.

Lembre-se, você precisa cantar e contar histórias, você é o referencial afetivo que elege a qualidade do que seu filho vai consumir.

Mais tarde, quando a criança estiver maiorzinha, podemos pensar nas estantes digitais que promovem leituras e outros recursos em vídeo que aproximam a criança do literário. Logo de início, leitura e história contada pelos pais e avós não deve ser substituída por tecnologia digital, certo? O folhear promove uma cultura do livro que não deve ser suprimida.

É importante diferenciar na hora de escolher o que é de qualidade. Procure pesquisar antes de adquirir ou baixar algum conteúdo direcionado à criança. Seu encantamento sobre o livro é primordial para contagiar a criança.

Fica aqui o alerta: um estudo, desenvolvido pelo Instituto Pró Livro em parceria com o Itaú Cultural, concluiu que a única faixa etária na qual houve um registro de ampliação da leitura foi entre crianças de 5 a 10 anos.

Todas as outras faixas etárias registraram queda, em especial, a partir dos 14 anos. Então cuide para que seu filho não faça parte da estatística indesejada. Os números divulgados relacionam as redes sociais e a internet como as principais responsáveis por este resultado.

Entenda melhor o que é literatura assistindo bem rapidinho a este vídeo de Mario Cortella

Quando você troca o livro pela tela, você está preparando um terreno bem movediço para os seus filhos, por isso a literatura não só entretém como também protege.

Como incentivar a leitura de boa qualidade nas crianças?

Neste cenário, em que os dispositivos eletrônicos entretêm com qualquer vídeo, o que fazer para tornar a criança um leitor mais seleto? Como mencionei acima, mais do que apresentar o livro, são imprescindíveis os momentos prazerosos de interação entre adulto e criança.

Crianças gostam de explorar o imaginário e gostam também de visitar outras realidades por meio de uma literatura inteligente, bem elaborada e própria para ela. A boa literatura é aquela que encanta pais e crianças, e este é um bom critério para se escolher um livro.

Claro que cada criança responde aos estímulos de uma forma diferente e nem sempre o que dá certo com uma ocorre da mesma forma para outra. Contudo, há algumas ações que geralmente podem ajudar a envolvê-las no mundo da leitura.

Uma delas é estabelecer um momento para a contação de história diária para a criança desde pequena, o que vai ajudar a desenvolver a escuta e o gosto pela leitura.

Este momento pode acontecer em um local especial e aconchegante. Pode ser na varanda ou no jardim, ou até mesmo em uma cabana improvisada no quarto com os lençóis.

O mais importante é escolher:

  • boas histórias de editoras e autores com referências;
  • histórias sempre adequadas à idade ou à maturidade para facilitar a compreensão.

Não é porque a criança ainda é pequena que devemos escolher livros com textos curtos. Elas podem sim ser introduzidas a histórias um pouco mais longas e, assim, se envolver com o prazer das letras.

Então, falando em bons livros, “senta que lá vem a história”! Separamos alguns títulos com as professoras da biblioteca da Casa Escola.

Elas trazem a preciosa informação de que os pequenos da escola amam estas histórias e que pedem para serem recontadas uma vez, outra vez e muitas outras. Daí nossas dicas passam também pelo crivo das crianças. Confiram:

O Pequeno Coelho Branco

As crianças se divertem com as rimas, repetições e ritmo da narrativa. Trata-se de uma história que fala de coragem e astúcia. O livro também  surpreende pois foge da expectativa do leitor, quando para se chegar a uma solução não é preciso apelar para a violência.

Bruxa, Bruxa: Venha à Minha Festa

O livro chama muita atenção das crianças pelo seu jeito inteligente de usar as repetições durante a narrativa, o que vai acontecer de forma cíclica, e apresentar a cada página um elemento surpresa. Além disso, é possível explorar o sentimento de medo que porventura venha surgir ao se apreciar a riqueza de detalhes de suas ilustrações.

O Lobo Voltou

A história super bem-humorada desperta o interesse e curiosidade das crianças a partir do seu título “O Lobo voltou!”. A cada página é gerada uma expectativa sobre quem bate à porta da casa do Senhor Coelho. Marcada por esse suspense, a história entra na repetição divertida que resgata os personagens de outros contos também conhecidos por muitas crianças

O Grúfalo

As crianças se encantam pelo personagem principal que até então é desconhecido. Afinal, o que é um Grúfalo? No decorrer da história a imaginação das crianças é aguçada na medida em que são reveladas características terríveis desse animal/monstro. Esta fábula divertida é marcada por repetições e espertezas de seus personagens.

DA PEQUENA TOUPEIRA QUE QUERIA SABER QUEM TINHA FEITO COCÔ NA CABEÇA DELA

As crianças se interessam por este livro por ele tratar de um assunto evitado e que causa estranheza nos adultos. Afinal, cocô pode ser tratado de maneira natural e divertida. A narrativa atrai a atenção das crianças para desvendar o mistério em volta da questão: “quem fez coco na cabeça da toupeira?” O fato surpreendente está na atitude da toupeira diante do desvendamento, o que  aborda a diversidade em relação às formas e texturas dos cocôs dos animais. Algo que, por meio da investigação detalhada da toupeira, pode ser falado.

Gostou das sugestões de livros das crianças da Casa Escola? Talvez você já até esteja com os sites de livrarias abertos para fazer uma busca para compra dos livros de leituras infantis.

Além de investir na aquisição destas obras, veja também mais orientações para o incentivo da leitura com as crianças neste outro texto do nosso blog.

Tenham ótimos momentos junto com os novos livros e partam para muitas aventuras a serem vividas em suas páginas.