Da TV às redes sociais, há uma enxurrada de informações sobre a recente pandemia de coronavírus. Mesmo que o conteúdo não seja direcionado às crianças, elas também são impactadas pelas notícias. Diante de tantas informações, como os educadores podem ajudar aos alunos a compreender melhor estas mensagens?

A função do professor, em um cenário histórico como este, é fundamental quando o assunto é ensino e aprendizagem. Afinal, é  direito da criança e adolescente o acesso à escola, e por lei (Lei nº 12.796/2016), crianças a partir dos 4 anos de idade precisam estar regularmente matriculadas. 

Nessa demanda, em que a lei garante o ensino desde cedo, compreende-se que o professor tem papel fundamental no desenvolvimento infantil, quando ele se torna um agente mediador entre a informação/conhecimento/afetividade/socialização e as crianças. E isso não é pouco. Com o apoio de estratégias pedagógicas planejadas, ele auxilia os alunos  a significar o mundo e a ampliar suas visões. 

Nessa perspectiva das significações, a abertura para o diálogo passa a ser uma das funções do educador, inclusive no ensino remoto. Ensinar nesse contexto não se trata apenas de indicações de atividades para estímulo aos cuidados com a higiene e com condutas para o distanciamento social, é possível ir bem além.

Escola: espaço para diálogo e troca de vivências

A escola (seja no ambiente físico ou virtual) deve ser um ambiente em que as crianças e adolescentes sintam-se à vontade para falar sobre suas inquietações e dúvidas, especialmente em relação à pandemia e seus impactos – no geral e em cada sujeito de maneira singular.

Por isso, é importante abrir espaço para a escuta e deixar as crianças se expressarem. Descubra o quanto elas já sabem e são sensíveis, inclusive podem trazer sugestões não pensadas e fazer somar ao grupo.

Esse tipo de conversa demanda traquejo emocional por parte do educador. Não adianta querer transformar o diálogo em aula de moral e cívica. Moralismo e diálogo é que nem água e azeite, não combinam e nem se misturam.

Então muita cautela e atenção para não cair na própria armadilha de querer dar lição de moral.  Importante ressaltar que não é um momento propício para sobrecarregar a turma com mais assombramento, pelo contrário. O diálogo sobre a pandemia, deve ser um espaço para descarregar sentimentos, dúvidas e encontrar alívio na informação séria, a embasada em fontes confiáveis. 

O diálogo pode ir além e gerar a oportunidade para se falar sobre Fake News e discursos adversos ao tratamento do COVID-19, como no caso do uso da cloroquina (ou não). O que é verdade e o que é falso? Quais as fontes que devem ser pesquisadas e ouvidas? Quando compartilhar uma informação recebida? 

Isso tudo pode ocorrer a partir do diálogo sem, necessariamente, o professor precisar expor a sua opinião sobre as questões levantadas. A função do mestre é abrir as visões e não fazer com que os alunos adotem a dele.

Conversa de acordo com a faixa etária

 

Nem é preciso dizer que cada faixa etária e turma têm um grau de maturidade para certos assunto. É muito importante que o professor esteja atento a isso e adapte as discussões ao nível de compreensão do seu público jovem ou infantil. Por isso, caso você seja professor e ache importante conversar com a turma sobre a pandemia:

  • Prepare-se para o diálogo;
  • Tenha na manga uma metodologia motivadora;
  • Procure ouvir primeiro;
  • Acolha os questionamentos;
  • Não responda logo;
  • Dê espaço para que os próprios alunos tragam respostas e sugestões;
  • Quando não souber o que responder, reconheça;
  • Não precisa esgotar o assunto em uma conversa só;
  • Valorize o que cada um tem a dizer;
  • Ah! E não se esqueça: nada de lição de moral.

ética

Considerando que em alguma situação os estudantes venham frequentar algum lugar público, procure  verificar junto às famílias como estão trabalhando com seus filhos questões relacionadas à biossegurança, isto é, bons hábitos de higiene e prevenção à infecção. 

Como está sendo o uso da máscara? A criança tem praticado? Como é o lavar as mãos? E quando encontrar alguém conhecido, como vai fazer para não sair correndo e abraçar?

tutoria

Não precisa ser uma conversa que traga apreensão, e as recomendações e protocolos podem trazer o lúdico com atividades divertidas. 

Assista ao vídeo da Palavra Cantada que enfatiza a lavagem das mãos, isso pode virar refrão em casa.

Com alunos maiores do Ensino Básico e Médio é possível aprofundar ainda mais incorporando o tema da pandemia interdisciplinarmente, daí fica a sugestão:

  • Avaliar aspectos relevantes de educação em saúde; 
  • Debater sobre o distanciamento e seus efeitos sobre a sociedade;
  • Analisar o contexto político-social dos países durante esta pandemia de coronavírus;
  • Comparar o COVID-19 a outras epidemias que promoveram momentos críticos na História;
  • Retomar, sempre, a questão dos fake-news;
  • Debater acerca do desafio à Ciência em função da pandemia;
  • Estudar sobre a indústria farmacêutica e como ela atua no contexto pandêmico;
  • Trazer atitudes heróicas e cidadãs;
  • Dividir experiências comunitárias de ajuda à população;
  • Discutir e revelar práticas solidárias existentes em função da pandemia;
  • Participar ou criar uma ação solidária;
  • Compartilhar experiências pessoais que podem amenizar os efeitos do isolamento.

Viram quantos assuntos podem ser trabalhados com o professor no presencial e de modo virtual? O coronavírus é só a ponta do iceberg para gerar assuntos para conversar e abrir a turma para o diálogo. As crianças, assim como os adultos, estão imersos neste cenário de incertezas e apreensão e, ao dialogar, os educadores podem colaborar tanto no combate à proliferação da doença como no cuidado com o emocional de cada estudante.

Gostou das orientações contidas no texto? Que tal compartilhar nas redes sociais com aquelas pessoas que você sabe que precisam saber mais sobre este assunto?