A informação de que a água é um dos alimentos mais importantes para o desenvolvimento do corpo humano há muito tempo vem sendo repetida. Contudo, as pessoas ainda demonstram dificuldade de ingerir a quantidade mínima necessária para a garantia da saúde – principalmente as crianças, que muitas vezes não querem pausar suas atividades por um copo d’água.

A cena é comum: o momento em que mais precisam, quando estão envolvidos com alguma brincadeira, gastando energia, é quando menos querem beber água. Geralmente, a maior parte das crianças não tem a disciplina de ingerir água com regularidade. E aí vem a preocupação: o que fazer para que o filho/a passe a consumir mais água?

Recai aos pais a responsabilidade de introduzir este hábito ainda na infância através de estratégias e métodos facilitadores. E estamos falando de água na sua forma pura. Não suco, chá, ou outras bebidas como refrigerantes e achocolatados.

Mas, antes dos seis meses de idade, se a criança estiver em amamentação exclusiva não é preciso a ingestão de água em nenhuma quantidade. O leite materno já supre todas as necessidades da criança.

Quando a água começa a fazer parte do cardápio diário, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que os bebês de 7 a 12 meses tomem, em média, cerca de 800ml de água por dia (podendo parte disso ser extraído do próprio leite materno). Já entre 1 e 3 anos, a quantidade passa para 1,3 litro diário.

Para as crianças entre 4 e 8 anos, o direcionamento é de que o consumo seja de 1,7 litro. Já para o público infanto-juvenil, a quantidade pode variar segundo o peso e altura do adolescente, clima, etc.

A ingestão adequada da água traz diversos benefícios para o organismo: ajuda o corpo a enfrentar estresses metabólicos, minimiza o risco de desenvolver doenças crônicas, também auxilia no combate à obesidade e sobrepeso infantil. O consumo de água colabora ainda para o bom funcionamento do sistema digestivo e renal.

Neste contexto se encontra o desafio: incorporar o hábito de beber água e ainda ficar atento em relação à quantidade consumida. Veja algumas ideias e recursos que podem facilitar este processo:

Explique a importância

É necessário ter em mente que a criança não compreende o tamanho da necessidade da hidratação, muito menos a importância de ser constante o consumo de água. Inicialmente, invista no diálogo e explique, na linguagem dela e com exemplos, os benefícios da água para o organismo e a quantidade necessária que deve consumir.

Sempre ofereça

Não se deve confiar na memória dos pequenos ou no despertar de sua sede. Lembre frequentemente à criança de beber água. Uma boa forma de manter o hábito é também oferecer a ela sempre que você estiver bebendo água.

Deixe água sempre à disposição

Facilite o dinamismo de ingestão de água ao mesmo tempo em que investe na autonomia da criança. Coloque em um local de fácil visualização uma garrafa para a criança de forma a favorecer a lembrança do consumo, além de facilitar para ela agir sozinha na busca pela água – sem depender que alguém pare o que estiver fazendo para lhe dar água.

Utilize garrafas e copos criativos

Nada melhor do que aguçar o melhor das crianças: a imaginação e olhar de diversão para tudo. Então, disponha de garrafas e copos temáticos, da escolha dela. Isso dará um maior prazer ao ato de beber água, aliviando o peso da obrigação.

Não faça substituições por outros líquidos

Bebidas com muito açúcar, como sucos e refrigerantes, são as principais responsáveis para que as crianças bebam pouca água. Ao sinal de sede, ofereça água. O consumo mínimo de líquido orientado pela OMS é da água pura. A ingestão de outros líquidos podem gerar outras consequências a serem consideradas na equação, como mostra essa cartilha da OMS direcionada a diretores de escola. Então, vá de água!

Crie metas

Talvez não seja fácil de um dia para o outro aumentar o consumo de água para a quantidade ideal. Este incremento pode ser gradual e com metas estabelecidas.

Crianças gostam de desafios e também são muito visuais para a compreensão. Uma boa dica é separar uma parede da casa e fazer um quadro para que marque a quantidade de água bebida.

Como a escola pode auxiliar?

O ambiente escolar também pode ser um belo parceiro nesse estímulo.

Garrafinhas

Aderir a garrafinhas de água ao invés do bebedor de esguicho ou os nada ecológicos copos descartáveis já é um belo passo.

Pode não parecer muito prático, mas uma boa construção desse hábito, onde a escola estimula o uso e cuidado das garrafinhas de água é uma prática saudável e sustentável.

Alinhado a essa prática, na outra ponta, é necessário que a família também esteja implicada nesse cuidado com a garrafinha, para que seja diariamente lavada e reencaminhada para a escola.

Momento da água

Da mesma forma que as famílias incentivam o consumo de água em casa, na escola os professores e professoras também devem oferecer e lembrar frequentemente às crianças que bebam água estabelecendo alguns momentos dentro da rotina em que o comando será proferido.

Aos poucos as crianças internalizam a prática de forma bastante natural.

Tema de estudo

Sempre que oportuno, a água e sua importância podem entrar como tema de estudo nas pesquisas nos alunos.

Sem forçar a barra, mas se houver espaço, a temática sempre pode render aprofundamentos, curiosidades e boas descobertas.

Conclusão

Para que tudo isso possa ser alcançado tem uma ação ainda mais importante: dar o exemplo. Não adianta em nada cobrar da criança o hábito de beber água com frequência, quando os pais não têm essa prática. Invista neste cuidado e transmita a consciência aos filhos/as de um modo natural.

O mais importante é não deixar de oferecer, mesmo que haja resistência inicial. Em algum momento a criança irá se acostumar, ou até gostar de sempre estar bebendo água.

Quando criamos o hábito de consumir água regularmente ainda na infância, ele perdura mais facilmente por muito anos. É uma prática que pode fazer grande diferença na saúde da criança ao longo da vida.

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