E lá vamos nós com mais dicas para esse período de distanciamento social!

Já se passaram dois meses desde que a maioria dos estados brasileiros determinaram a suspensão das aulas presenciais nas escolas, como prevenção à Covid-19, e, por isso, as crianças têm passado mais tempo em casa.

Sim, eu sei, o mundo está de pernas para o ar, as demandas em casa são insanas, temos que dar conta do trabalho remoto, das infinitas tarefas domésticas, de acompanhar os estudos dos filhos e mais uma lista sem fim que varia de família a família, mas que é comumente estafante para todos.

No entanto, esse momento não precisa nem deve ficar guardado na memória como um período de medo e solidão. Afinal, nossas melhores lembranças da infância são das brincadeiras, risadas e diversão, não é mesmo?

Além de boas lembranças, atividades de recreação também são essenciais para o desenvolvimento das crianças, especialmente na primeira infância. A brincadeira pode ainda ser um exercício físico completo: ajuda no desenvolvimento da psicomotricidade, na aprendizagem,  auxilia a criança a organizar melhor os pensamentos e a interagir com as pessoas e cenários ao seu redor.

As brincadeiras podem vir também com uma boa carga de aprendizado. De maneira prazerosa, as crianças se sentirão dentro de uma grande brincadeira e, ao mesmo tempo, aprendendo cores, letras, números e muito mais.

Separamos neste texto algumas atividades educativas que podem tranquilamente ser realizadas em casa sem gastar muito. A ideia é envolver toda a família em um grande momento de descontração.

Lembre-se de incluir o momento de diversão na rotina de casa e planeje antes a atividade que será executada. Fazer pela primeira vez uma brincadeira sem se organizar antes tem chances de não dar muito certo. Além disso, com o planejamento antecipado você pode definir o que será ensinado e, ao longo do tempo, acompanhar a evolução da criança.

Então, vamos às sugestões de brincadeiras!

1. Rastejo com a corda

O longo período dentro de casa exige ainda mais atividades que façam o corpo se exercitar. Uma ideia bacana para isso é o rastejo com corda. Uma atividade bem simples, mas que pode render muito suor e risadas, além de ser um ótimo exercício psicomotor.

Para realizar a brincadeira você só vai precisar de uma corda de qualquer tipo. Pode ser também elástico, corda de varal, fita de cetim, madeira, etc.

Para execução da atividade, estique a corda e prenda as pontas. É bom que esteja presa de forma que possa variar a altura para aumentar aos poucos o nível de dificuldade.

A proposta é fazer a criançada passar por debaixo, de preferência com todo o corpo no chão. Ela deve usar os braços e pernas para fazer a passagem, que pode ser variada na forma, como a imaginação mandar.

Estimule a criança a passar com a barriga no chão, depois com a barriga para cima, com as pernas passando primeiro… Você também pode pedir para ele imitar animais durante a passagem.

Ah, e se possível, brinque junto com o seu filho das mais variadas formas possíveis. Com uma referência do movimento ou posição, a criança reproduz com muito mais facilidade. E se diverte vendo os pais entrarem na brincadeira, tentarem, empacarem…

2. Caixa Sensorial

Que tal trabalharmos um pouco os sentidos e sensações, a psicomotricidade fina, a imaginação e memória, tudo junto em uma brincadeira só? A dica é a caixa sensorial ou caixa tátil.

Se não tiver uma caixa de papelão em casa, dê uma passadinha rápida no supermercado, que sempre disponibiliza algumas. Com a caixa em mãos, faça um círculo e o corte para fazer a entrada. O círculo deve ter o diâmetro suficiente para passar o braço e os objetos, mas não faça muito grande para que a criança não enxergue o que tem dentro.

Use retalhos de tecidos, papel de presente, adesivos para cobrir a caixa e deixá-la bem bonita e colorida. Faça isso tudo com a ajuda da criança, afinal, os preparativos já podem ser parte da brincadeira.

Coloque diversos objetos dentro com pesos, texturas e tamanhos diferentes – cuidado para não ser algo pontiagudo ou cortante. O propósito é que as crianças coloquem as mãos dentro e, ao sentirem o objeto, tentem adivinhar o que é antes de retirar.

3. Adedonha ou Stop

Brincadeiras antigas e que dispensam o uso das telas muitas vezes são bem atrativas para a criançada. A adedonha (também conhecida como stop), é uma atividade perfeita para desenvolver a cognição nas crianças.

Apesar de o seu formato original utilizar apenas papel e caneta, e ser jogada entre crianças já alfabetizadas, a brincadeira pode ser incrementada e personalizada, de forma a alcançar crianças de menor idade.

Originalmente, a dinâmica consiste em anotar em um papel, dividido por temas, palavras com a mesma letra inicial em menos tempo. Para isso, você deve separar a folha em algumas colunas (com a quantidade de temas escolhidos para a brincadeira).

Para escolher a letra, todos os jogadores devem dizer “Stop” e colocar uma quantidade de dedos à mostra, representando a contagem de cada letra do alfabeto.

Como alternativa, você pode construir um dado e, em cada face dele ter imagens, letras, palavras e até sons que representem os temas, como nome, cor, fruta, animal, parte do corpo… As letras também podem ser sorteadas. É só escrever cada letra em um papel e colocar todas em um saquinho ou caixinha.

Dessa forma, jogue o dado para cima e depois sorteie a letra. Todos devem escrever, ou falar (de acordo com o que for combinado) alguma coisa correspondente. As variações podem ser definidas de acordo com a cognição das crianças envolvidas na brincadeira, de modo a torná-la divertida e acessível para todos.

4. Contação de histórias

Crie um momento do dia para a contação de histórias. Aproveite e conte a história de maneira diferente, ao invés da leitura sistemática. Você pode utilizar fantoches, caso não tenha, objetos de casa podem simbolizar os personagens. Como, por exemplo, os talheres e/ou brinquedos das crianças. Uma boa ideia também é fazer uma encenação da história envolvendo todos os familiares de casa.

Além dos livros, você pode também narrar aventuras da sua própria infância, lembrando de fatos divertidos. Esse momento pode ser bem especial e integrativo. Há também alguns canais no YouTube com boas contações de história.

5. Massa de modelar

Após a divertida contação de história, você pode estimular as crianças a representarem de uma maneira diferente o que entenderam ou mais gostaram da narrativa por meio da massa de modelar. A massinha é um recurso fácil e disponível em conveniências e supermercados e pode ser facilmente elaborado em casa com ingredientes simples.

Já passamos essa receita em outro post, mas, para quem não pegou, aqui vai de novo!

Receita de massinha caseira:

– 1 xícara de sal

– 4 xícaras de farinha de trigo

– 1+ ½ de água

– 3 colheres (de sopa) de óleo

– Anilina ou corantes alimentícios de cores variadas (opcional)

 

Com a massa de modelar, as crianças podem moldar a forma que eles enxergam os personagens, desenvolvendo as habilidades motoras.

6.  Oficina de carimbos

Com poucos objetos domésticos você pode fazer de sua casa um grande ateliê de artes!. Sabe a esponja de lavar a louça (nossa amiga próxima nessa quarentena)? Ela pode se transformar em carimbos de formatos variados.

Pegue uma ou duas esponjas e corte em diferentes formas. Pode ser um círculo, um quadrado, um peixe, uma estrela, o que a sua criatividade, junto com a da criança, levar a fazer.

Outra possibilidade também é fazer o carimbo com batata. Você a corta ao meio e modela em relevo a forma que deseja carimbar.

Depois, é só molhar com tinta guache e carimbar as formas no papel. A brincadeira pode render também uma nova decoração nas paredes do quarto, já pensou?

7.  Dança da cadeira

Ainda nas brincadeiras clássicas, a dança da cadeira é uma boa opção para mexer o esqueleto e também ótima para desenvolver coordenação, ritmo, agilidade e, sobretudo, a concentração. Quem pensa que é uma atividade só para crianças se engana: os adultos podem se divertir muito também!

A dinâmica, você provavelmente já conhece: arrume cadeiras em um círculo com o assento para o lado de fora e toque uma música. Quando a música parar, todos têm de sentar em uma cadeira. Porém, sempre falta um assento. Então, quem não conseguiu um lugar fica fora da rodada.

Mas a gente pode modificar essa regra para ser mais inclusiva também, o que acha? Ao invés de alguém sair da rodada, ao faltar uma cadeira a pessoa pode escolher o colo de alguém para sentar. Assim pode ser até mais divertido! Já pensou quando restar apenas uma cadeira?

Se você não quiser desarrumar a sala ou tem receio de acidentes, pode usar almofadas, ou recortar círculos ou quadrados em uma folha de cartolina, papel ou de jornal (artigo raro hoje em dia) e grude-os no chão com fita, substituindo as cadeiras.

8. Bolhinhas de sabão

Podemos encher os nossos ares de diversão com a sempre animada atividade com bolinhas de sabão. A brincadeira é simples, mas sempre causa fascinação nas crianças, que se surpreendem com os diferentes tamanhos das bolas e o quanto elas podem ir longe, ou não.

Dá para preparar a mistura em casa, com água e detergente, e confeccionar moldes com arame, barbante, ou até com canudos. As bolhinhas podem ser soltas da varanda, no pátio ou até mesmo na janela do apartamento.

9. Cultivar plantas e hortaliças

O isolamento pode ser um bom momento para começar a cultivar uma planta ou uma hortaliça. Crianças amam o contato com a terra, e ter uma planta em casa ensina sobre cuidado, além de ser uma oportunidade de acompanhar o ciclo de vida de um vegetal. Quem mora em apartamento pode montar uma pequena horta na varanda ou na área de serviço, por exemplo – onde tiver os melhores raios de sol.

Atividades educativas é o que não faltam para ocupar este tempo de isolamento social. A lista pode seguir sem fim. Além de executar as atividades, que tal compartilhar o texto nas suas redes sociais para que mais famílias tenham a oportunidade da diversão com aprendizado?