Dizem que quando nasce um bebê, nasce também uma mãe e um pai. Mas, na verdade, essa frase não consegue dar a dimensão de tudo o que acontece em uma família com a chegada de um filho/a.

Vêm à tona sentimentos até então desconhecidos, elementos da personalidade são aflorados, ou ainda, novas facetas dos adultos descobertas, eles que até então se sentiam completos.

Sim, o encontro com o filho exige dos pais mais paciência, criatividade, desperta emoções. Em simples situações cotidianas, os pequenos seres em formação nos trazem grandes lições.

Parece até uma inversão de papéis, onde o que deveria aprender está ensinando, o que deveria ser conduzido está guiando novos passos. Se você é pai ou mãe certamente já se viu neste dilema, não é mesmo?

Pois é, isto não deveria ser tão estranho aos adultos, mas sim uma ordem natural. Afinal de contas, leituras como a do livro “O Pequeno Príncipe” já predizem que raposas e flores podem trazer grandes ensinamentos e que crianças são pequenos filósofos.

Está curioso sobre o que tanto as crianças podem ensinar e como aprender com elas suas lições? Listamos aqui alguns ensinamentos valiosos que uma criança pode dar. Confere se você já vivenciou alguns deles:

PERSISTÊNCIA

Desde sua concepção, o ser humano está em desenvolvimento. Neste processo, o bebê é sempre persistente. Seja no direcionar dos braços, ou levantar o pescoço… os primeiros passos! Ah, quantas quedas para conseguir o equilíbrio. Sim, eles não desistem quando caem, nem ‘deixam pra lá’ se não conseguirem. As crianças lutam até que o objetivo seja concluído.

Isto não vale somente para os bebês, mas ainda na primeira infância um ‘não’ parece não bastar. Elas insistem, pedem, choram, lutam pelos seus alvos e metas. Por que não aprendermos nisto com as crianças? Se temos uma necessidade e objetivo, devemos unir isso à nossa maturidade já conquistada e seguir persistindo até alcançar.

AMOR INCONDICIONAL

É fato que existem muitos tipos de relações de amor. Costumamos ter atitudes de amor na perspectiva de receber algo em troca, ou até nos questionarmos se a outra pessoa devota um sentimento da mesma forma. Mas a relação de pai, mãe e filho é diferenciada de todas. Com filhos é diferente.

Antes de tudo, é uma pessoa totalmente dependente. Uma criança também não tem como pagar por todo o investimento feito na vida dela. Contudo, isso não é empecilho para os pais. Muitos relatam: “antes de tudo o que tenho que fazer, penso nos meus filhos”, ou até “sou capaz de fazer qualquer coisa por meus filhos”.

Muita gente até pensa que já aprendeu tudo sobre o amor, mas só entende a complexidade (ou simplicidade) após ter filhos. Dedicar-se à criação deles desperta dentro dos pais um amor até então desconhecido, o amor incondicional. Aquele que dá tudo sem pensar o que vai receber em troca, e tudo bem por isso.

NÃO SE PREOCUPAR COM JULGAMENTOS ALHEIOS

Vestir um short de bolinhas verdes com uma camisa listrada azul pode não ser problema nenhum para uma criança. Sair com um penteado diferente, ou sem penteado algum tão pouco é uma preocupação. E dizer um não ou rejeitar um abraço de alguém? São gestos espontâneos e sem nenhum remorso.

Isso porque a preocupação principal delas é com o próprio conforto e seus sentimentos. Não se atentam ao que “os outros vão pensar ou falar” e ainda não estão preenchidas pelos tabus, normas sociais, hipocrisias etc. Na verdade, este conceito são os pais ou a convivência social que ensinam.

Esta é mais uma grande lição inversa. Ser autêntico, espontâneo, fazer o que tem de ser feito, ou o que gosta de fazer, sem se limitar tanto ao que os outros vão pensar.

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DAR VALOR ÀS COISAS SIMPLES

Um bolo com uma decoração do desenho preferido pode ser o bastante para alegrar uma criança. Ou até uma chave sem utilidade que se transforma na chave do motor de partida do motociclo pode ser algo fantástico.

As crianças ainda não têm noção de importâncias financeiras, por isso focalizam mais no valor simbólico das coisas. Desta forma, o simples é tão importante quanto o sofisticado, basta aplicar o imaginário, ele fala mais alto do que o objeto em si.

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Faça a tentativa, entre com seu filho em uma caixa de papelão e viaje com ele pela imaginação a custo zero.

Que bom se seguirmos este exemplo e passarmos a valorizar mais as coisas simples que estão ao nosso redor: dez minutos de conversa, um café saboroso, um banho de mar (ou lagoa), entrar dentro das cobertas e acender uma lanterna, contar uma história e muito mais. Com certeza surgirão grandes sorrisos e gargalhadas a dois.

VIVER INTENSAMENTE O PRESENTE

Coisa difícil é explicar para uma criança o que foi ontem e quando será o amanhã. Ou até que hoje é domingo e não tem aula, e na quinta-feira que é o dia da fruta. A mente delas está sempre ligada ao hoje, ao presente. E tudo tem de ser agora, amanhã é difícil demais de compreender, mais ainda de chegar. Sim, com este mesmo sentimento devemos estar. Se tem algo para ser feito que seja hoje, nada de procrastinar, amanhã é longe demais. 

A IMAGINAÇÃO NÃO TEM LIMITES

Como dissemos, uma caixa de papelão pode ser uma grande embarcação, uma vassoura, um cavalo veloz. Está faltando bola para jogar um futebol? Papel amassado dentro da meia resolve a situação. Crianças precisam de pouco para se divertir, facilmente enxergam as coisas como uma chance para novas criações.

Se você não está conseguindo vivenciar estes aprendizados, seguem algumas dicas:

– Se permita viajar no imaginário. O “Faz-de-conta” pode acontecer se a gente quiser e se deixar embarcar nele;

– Tire um tempo de seu dia, vá para um ambiente ao ar livre com seu filho, e se permita imaginar e criar suas próprias histórias e brincadeiras;

– Olhe para as coisas ao seu redor como se fosse a primeira vez que visualiza;

– Se desafie a novos atividades nunca realizadas antes, faça algo pela primeira vez;

– Seja natural ao demonstrar as suas emoções. A criança é muito espontânea, não se esforça para agradar alguém. Abrace, beije, sorria, chore quando quiser, ou precisar. Desperte sua espontaneidade com mais frequência. Desperte a criança que resta dentro de você como podemos ver no vídeo da Brincadeira do pano encantado.

CONCLUSÃO

Diante da leveza e diversão que as crianças levam a vida, elas podem envolver os pais e na reciprocidade aumentar a relação entre pais e filhos. Basta que seus corações estejam abertos às lições destes pequenos professores da vida.

Você se identificou com algumas dessas situações listadas? Descobriu algo novo sobre o poder de aprender com os filhos? Então comenta aqui no blog um caso que aconteceu entre você e seus filhos e que lição você aprendeu. Compartilhe também este artigo para que mais adultos como você possam fazer descobertas parecidas.