O processo de educação alimentar se inicia na introdução de alimentos quando bebê e permanece em construção por toda sua vida.

Como em todo processo educativo, o alimentar requer paciência, persistência e conhecimento por parte de quem o conduz. Neste caso, são familiares, educadores e cuidadores.

O Ministério da Saúde, através do Guia Alimentar para menores de 2 anos, preconiza que a partir dos 6 meses de idade (período recomendado para amamentação exclusiva) a alimentação seja introduzida de forma diversificada, com alimentos in natura ou minimamente processados como base da alimentação, acompanhando a dieta da família (saudável).

Desta forma, além do leite materno, outros alimentos irão gradativamente compor o cardápio da criança, tais como legumes, verduras, frutas, cereais, leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão de bico), carnes, ovos, raízes e tubérculos. É nesta fase, portanto, que podem surgir as primeiras dificuldades em relação a alimentação.

Como fazer a introdução alimentar?

É possível que o bebê em fase de introdução alimentar recuse alguns alimentos e estes devem ser oferecidos por várias vezes.

alimentação infantil
  • Facebook
  • Twitter
  • Email

Neste momento é preciso insistir em um mesmo alimento para que a criança possa conhecer e aceitar aquele novo sabor e textura. O que não significa forçar a criança a comer, apenas, oferecer.

São recomendadas preparações simples, oferecendo pratos saborosamente coloridos. Papinhas homogêneas, liquidificadas, não são indicadas por não oferecer possibilidade de identificação dos sabores, além de não estimular a mastigação.

Uma introdução de alimentos bem-sucedida não só garante as necessidades nutricionais e energéticas da criança, como a prepara para uma nova etapa.

Após o primeiro ano de vida, o universo de alimentos conhecido da criança está mais amplo.

Durante os primeiros anos os hábitos alimentares estão se formando e se bem conduzido o processo de educação nutricional, melhores as chances de uma vida adulta saudável, com diversidade de alimentos e consequentemente, oferta adequada de nutrientes.

Esta fase também é marcada por muita descoberta e interesse pelo mundo ao redor dos pequenos. Por este motivo é comum alguma perda de interesse temporária pela comida, cabendo ao adulto a função de acompanhar o desenvolvimento da criança, através das consultas ao pediatra regularmente a fim de observar se não há perda de peso ou qualquer carência nutricional, como anemia. A dieta deve permanecer diversificada e equilibrada.

E quando a criança já está em idade escolar?

Já crescidinhos, em idade escolar, quando já têm mais autonomia e escolhem do que brincar e o que comer, é o tempo que, perigosamente, mães e pais podem se render aos apelos dos filhos por produtos veiculados na mídia ou aqueles que conhecerão através dos lanches dos colegas ou irmãos mais velhos.

alimentação infantil
  • Facebook
  • Twitter
  • Email

Mesmo inadequados a qualquer faixa etária, segundo o Guia Alimentar para População Brasileira, os alimentos com excesso de açúcar, sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos, são, muitas vezes, introduzidos na dieta das crianças com a simples intenção de fazê-los comer (seja o que for).

São os produtos ultra processados que recheiam pacotes, garrafas e caixinhas, invadindo o universo infantil, seduzindo as crianças com sabores e cores artificiais (e poucos nutrientes). E também aos adultos, seja por hábito ou pela praticidade e perfeita conciliação com a rotina acelerada deste século.

Em uma cultura em que guloseima é considerada ‘’comida de criança’’, associada a momentos alegres e festivos, do outro lado, está a nossa ‘’heroína’’, a comida saudável, tantas vezes não cotada para ‘’promover’’ a alegria da criançada. Realidade que felizmente vem mudando.

Vale investir então, em preparações culinárias que além de nutritivas, sejam atrativas, saborosas e diversificadas. Não é necessário fazer das refeições uma brincadeira, com carinhas e bichinhos sempre! Mas, encorajar a experimentação de novos alimentos, enriquecer pratos com ingredientes que talvez não sejam tão atrativos ao paladar da criança, mas que sejam saudáveis, juntamente com outros de melhor aceitação é um recurso interessante.

  • Facebook
  • Twitter
  • Email

Também não é aconselhável trocas ou compensações para um prato vazio. Muito menos, ameaças ou punições para a sobra de um prato cheio. O adulto precisa compreender o que a criança está sentindo. Respeitar o paladar da criança, saber distinguir aversões de birras ou até mesmo, a simples ausência de fome em um dado momento.

É comum encontrar pais de crianças seletivas bastante aflitos. Por isso é necessário conhecer bem o hábito alimentar e as condições fisiológicas daquele pequeno. Cada organismo tem suas necessidades específicas de energia e nutrientes.

O que parece satisfatório na visão do adulto, muitas vezes está em excesso para a criança. Algumas observações são importantes para detectar onde está a dificuldade, como considerar o espaço de tempo entre as refeições e o volume de comida, bem como, o modo que está sendo oferecido o alimento (exemplos: textura, temperatura, disposição no prato).

Muitas vezes a preocupação da família em satisfazer as vontades da criança ou mesmo por receio de que não esteja bem alimentada e haja, por consequência, prejuízo nutricional, poderá resultar em excesso ou déficit calórico e\ou de nutrientes.

Desta forma, o que a lancheira traz para o recreio poderá interferir na refeição seguinte levando à baixa ou nenhuma aceitação das refeições maiores (almoço ou jantar) que são justamente onde costuma ser possível ofertar maior variedade de nutrientes (quando estamos tratando de nossa cultura local).

Por outro lado, crianças com apetite maior, podem aceitar muito bem o almoço ou jantar, mesmo após um exagero no lanche, o que poderá ser um caminho para a obesidade infantil, hoje tão crescente em nossa sociedade.

Alimentação e rotina devem caminhar juntas

É importante ficar atento aos horários de maior apetite e sono, para que não haja prejuízo nutricional caso a rotina estabelecida não esteja contemplando o relógio biológico do pequeno.

A refeição poderá ser apenas adiada um pouco, mas, não é recomendado substituí-la por lanches ou mamadeiras de forma rotineira, apenas porque passou o horário do almoço, por exemplo.

Neste caso, se faz necessário uma observação da rotina da criança, para promover, com segurança, mudanças em função dos horários de sono, refeições, lazer e demais atividades diárias.

É consenso entre os profissionais de saúde que as refeições devam ser realizadas em ambiente tranquilo, de preferência com a presença da família e sem distrações (brinquedos, TV, celulares e outros eletrônicos). Isso porque a atenção que seria dada ao momento da refeição será desviada para outro foco e tanto pode induzir a um excesso de consumo ou recusa. E esta situação pode tornar-se um ciclo.

alimentação infantil
  • Facebook
  • Twitter
  • Email

Todos os dias uma batalha, e haja criatividade para fazer a criança comer o que o adulto acredita ser ‘’o suficiente’’. O que seria um ato natural e até instintivo, torna-se conflituoso e desgastante para todos.

É necessário romper este ciclo. De preferência não permitir que se instale.

Para quem tem filhos lactentes ainda, o conselho é que, ao iniciar a introdução alimentar, apresentar o prato à mesa, já inserindo o bebê no ritual das refeições em família, mesmo que estejam apenas ele e seu cuidador (mãe, pai, outro familiar ou assistente). Longe de distrações que desviem a atenção do alimento.

Manter rotinas de horários, realizar refeições com as crianças dando-lhes exemplos de boas práticas alimentares em ambiente tranquilo, oferecer preferencialmente alimentos in natura e minimamente processados e evitar cobranças ou recompensas são passos fundamentais para o sucesso do processo de educação nutricional dos filhos.

Enfim, manter a alimentação infantil saudável é bem simples (o que não quer dizer fácil!).

Bem, para ser mais precisa, segue uma receita infalível:

ALIMENTAÇÃO INFANTIL SAUDÁVEL

INGREDIENTES:

  • 1 boa quantidade de paciência
  • Insistência até dar o ponto (cuidado para não exagerar!)
  • 1 porção de disciplina
  • Bastante conversa e harmonia
  • Criatividade a gosto, para temperar
  • 3 a 5 porções de cores ao dia (entre hortaliças e frutas)
  • Amor à vontade
  • 1 generosa porção de bons exemplos

TEMPO: O quanto baste

PREPARO:

  • Desembrulhe o mínimo
  • Descasque mais (e se possível, acrescente a casca também)

SUGESTÃO PARA SERVIR: Compartilhar com a família e amigos, fazendo a alimentação saudável permear momentos felizes e inesquecíveis, com muitos sabores, cores e texturas de algo tão simples que é a comida de verdade.

Gostou? Que tal nos contar as suas experiências nos comentários? Conhece alguém que está enfrentando este momento? Compartilhe esse texto nas suas redes!